Segunda-feira, Novembro 10, 2008

NOITE DE AUTÓGRAFOS


Noite de autógrafos com

ADRIANA CALCANHOTTO

Lançamento do livro 'SAGA LUSA'

14 novembro 2008 | 19h
Quixote Livraria e Café
Rua Fernandes Tourinho, 274 - Savassi / BH

Terça-feira, Novembro 04, 2008

ALGUNS DESENHOS PARA CY

Domingo, Novembro 02, 2008

[ ] e tal...

Segunda-feira, Outubro 13, 2008

MIRÓ: REVISITADO



No último dia 11, o poeta Hugo Lima concluiu mais um dos seus projetos. Trata-se de uma tatuagem no alto do braço esquerdo. Porém, como muitos sabem, Hugo Lima não seria Hugo Lima se tatuasse nomes, tribais, dragões, flores ou qualquer um desses desenhos que metade da população mundial tatuada escolhe para marcar o corpo. E mais uma vez, ele surpreende traçando a reprodução do estudo de uma das obras mais importantes do pintor espanhol Joan Miró. Como esse “grand événement” não poderia jamais passar em brancas nuvens, resolvi fazer algumas perguntinhas ao poeta e registrar aqui mais um grande momento em sua trajetória. A entrevista aconteceu no Café do Palácio, algumas horas depois da sessão no estúdio. (Por Clarice Spain)

C.S: Hugo, por quê Miró?

H.L: A vida e a obra de Miró sempre influenciaram direta ou indiretamente a minha poesia. Desde as suas sinuosas linhas coloridas ao seu obstinado silêncio. Ao transcender a pintura, ele procura escapar à experiência puramente visual, conduzindo a sua arte por meio de uma atividade sistemática numa direção mais conceitual. De forma menos ou mais sutil, é o que venho buscando em tudo o que tenho feito enquanto arte, não só na poesia. O movimento e a cor que ele dá às suas telas é o mesmo que impulsiona e colore a minha poética. A delicadeza e a consistência dos seus traços são os mesmos que eu tento reproduzir na minha obra. Sem contar que Miró também fez muitas pinturas-poemas aliando a cor à palavra ou ao algarismo. Eu talvez faça o processo inverso, poemas-pinturas, associando elementos da pintura na reprodução das imagens que descrevo em meus versos. A linguagem pictórica de Miró evolui num sistema de sinais e de cores que traduzem cada elemento da natureza e impregnam a mais pequena coisa de uma ressonância mágica. Sinteticamente, é essa a minha relação com a vida e a obra dele.

C.S: E por quê as “Constelações”?

H.L: Bom, pouco depois do deflagrar do conflito mundial, Miró inicia uma série de pinturas chamadas “Constelações”, nas quais ele cria um cosmos pontuado de estrelas, luas, sóis e diversos signos. Essa série se tornou um marco na sua carreira e é a obra mais importante em toda a sua trajetória artística. De todas, é também a obra que mais aprecio pela singularidade, pela riqueza de detalhes, pela genialidade e pela delicadeza que permeia todas as telas da série. São estrelas, pontos, traços assimétricos, olhos e uma infinidade de signos que compõem a linguagem única e introspectiva do artista. Talvez, capaz até de traduzir o seu silêncio obstinado, porque eu acredito que de nenhuma outra forma Miró poderia ser mais sincero senão através de sua arte. Ele sempre foi uma pessoa reservada e muito criativa e prezava a singularidade que, aos poucos, foi se tornando sua própria identidade. Isso ganha infinitas proporções nessa série, “Constelações”, porque aquelas imagens jamais serão reconhecidas em nenhum outro artista. E, se terão a mesma idéia daqui pra frente, eu não sei. O que eu sei é que fui o primeiro a reproduzir toda essa “singularidade” dos céus de Miró no corpo, a imagem que escolhi nunca havia sido tatuada antes e isso enriquece, de certa forma, a importância da minha homenagem a um dos meus artistas favoritos. (Neste momento, Hugo dá algumas risadas, pede uma água e conta rapidamente que logo após ter terminado a tatuagem, rasgou a fotocópia do tatuador e o proibiu de refazer a tatuagem em outras pessoas).

C.S: Foi dolorido?

H.L: Eu diria que valeu a pena.

C.S: E você pretende fazer outras tatuagens?

H.L: Não sei, Clarice. Sempre quis ter apenas 3 tatuagens. Todas elas com a sua devida importância pra mim. Jamais tatuaria algo pelo simples valor estético. Nesses casos, prezo muito mais o contexto do que a imagem em si. Tatuagem é algo que se estampa pra sempre, por isso deve significar algo muito importante. Tribos indígenas, hindus, budistas, aborígines tatuam seus corpos para comunicar, dizer, simbolizar, expressar alguma coisa. Daí o surgimento da tatuagem estética que é essa que as pessoas fazem a torto e a direita pelo corpo a fora. A minha intenção também é a de comunicar, dizer, simbolizar, expressar algo. Representar, com um corpo marcado, fases importantes na minha vida. A primeira já está pronta e muito bem feita. Pode ser que outras venham em breve ou ao longo de muitos anos. Pode ser que eu não faça mais ou que eu tatue outras 4 ou 5... Não sei ainda.

C.S: Mas seriam outras reproduções de Miró?

H.L: Não sei. Pode até ser que sim, por que não? Mas não acredito que vá fazer mais alguma reprodução dele. Propus tatuar “Constelações” como uma missão e está já está cumprida. Não descarto possibilidades, mas acho pouco provável...

C.S: E onde foi que você fez a tattoo? Com qual tatuador?

H.L: Com o Leandro, da Santa Madre. Ele é namorado de uma grande amiga minha e é o dono do estúdio.

C.S: Ok! Muito obrigada pela gentileza em me conceder essa entrevista e eu espero que essa tatuagem marque então uma nova e excelente etapa na sua vida.

H.L: Sim, já está marcando. Eu é que agradeço!

Terça-feira, Outubro 07, 2008

INDIE 08


INDIE 2008 traz olhar contemporâneo através do cinema independente.

A mostra, nesta oitava edição, apresentará mais de 130 filmes nacionais e internacionais em Belo Horizonte, 70 inéditos no país.

O futuro pode estar começando agora. O cinema não é uma arte simples e pode, ao mesmo tempo, ser popular e hermético, entreter, incomodar, ser leve ou difícil. Este cinema múltiplo, tão amplo e rico de possibilidades, e direcionado para o futuro estará em exibição em Belo Horizonte entre os dias 09 e 16 de outubro. Há oito anos, o INDIE – MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL encontrou seu espaço na cidade, desde 2001, foram 150.000 espectadores, 981 filmes exibidos, em 1.427 sessões gratuitas.

O INDIE 2008 exibirá 134 filmes, sendo 72 inéditos no Brasil, e será inteiramente dedicado ao cinema contemporâneo de 17 países. Serão 121 sessões, todas com entrada franca.

Nesta oitava edição, a programação do INDIE 2008 apresenta seções dedicadas as últimas novidades que vêm do cinema realizado no Japão, Alemanha e França. O Nippon Connection on Tour é um amplo espaço para assistir ao audiovisual japonês jovem e atual; para entender qual o movimento que acontece hoje no cinema alemão é preciso ver os filmes da Nova Escola de Berlim; e as esperanças francesas estão nos seus diretores dos primeiros filmes. Mas o INDIE é também a Mostra Mundial, com seus lançamentos, estréias e expoentes do cinema internacional de 12 países; o Indie Brasil com uma geração autoral de realizadores brasileiros; e o Música do Underground que traz os mais importantes documentários sobre música do ano.

O INDIE 2008 – MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL tem patrocínio da Oi, apoio da Contax e Oi Futuro com os benefícios da Lei Estadual de Incentivo a Cultura de Minas Gerais e Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Belo Horizonte. É uma realização da produtora Zeta Filmes.

Veja os destaques de cada um dos 7 programas:

[MOSTRA MUNDIAL] Está subdividida em duas seções - Novos Diretores/ Novos Filmes e Première - traz ao todo 29 filmes, de 12 países.
> A Novos Diretores/ Novos Filmes representa o conceito curatorial principal do INDIE ao selecionar 15 filmes inéditos no país, de uma nova geração de cineastas. Apresentar estes novos diretores, da cena ficcional e documental, e tornar possível que estes filmes sejam conhecidos no país é um dos objetivos do INDIE. Vale destacar: Anywhere USA, de Chusy Haney-Jardine, Prêmio Especial do Júri no Sundance (2008); o inglês Como Ser, de Oliver Irving, Menção Honrosa do Júri no Slamdance Film Festival (2008); Loren Cass, de Chris Fuller que vem de uma carreira de dezenas de festivais internacionais; ou o oportunista dos documentários políticos como A Ameaça - que acompanha o polêmico Hugo Chávez e o povo venezuelano.
> Já na seção Première, estão 14 filmes em pré-estréia. O INDIE adianta o lançamento dos filmes que chegarão ao circuito comercial: importantes nomes do cinema europeu como A Fronteira da Alvorada, de Philippe Garrel; e O Silêncio de Lorna, dos irmãos Dardenne; as produções asiáticas como o filme chinês Destino Traçado, de Conrad Clark, e o indonésio A Fotografia; além do cinema americano independente como Hannah Takes The Stairs, de Joe Swanberg.

[INDIE BRASIL] Quatro documentários e dois filmes de ficção estão no programa dedicado à produção nacional recente. O diretor Eryk Rocha apresenta Pachamama, um registro da sua viagem pela América Latina; o videoartista Carlos Nader exibe seu filme-homenagem ao cativante Waly Salomão em Pan-Cinema Permanente; a estréia do mineiro Gibi Cardoso na direção em Tomba Homem; e a pré-estréia do documentário da paulista Carla Gallo, O Aborto dos Outros. Para completar, duas ficções bem diferentes: o paulista Marcelo Galvão apresenta o já polêmico Rinha; e o cinema do cearense Petrus Cariry em O Grão.
Como complemento às exibições do Indie Brasil, os diretores brasileiros estarão nos dias 10 e 11 discutindo o processo de criação na série Diálogos Independentes que terá mediação do jornalista Cássio Starling. (veja programação abaixo).

[NIPPON CONNECTION ON TOUR] O audiovisual japonês jovem e contemporâneo é a característica da programação apresentada no Nippon Connection Film Festival. Realizado há oito anos na Alemanha, em Frankfurt, o festival é responsável por promover um intercâmbio com o novo cinema japonês e apresentá-lo também em outros países. É a primeira vez que é exibido no Brasil. A curadoria apresentada no Indie 2008 é focada em obras digitais e que apresentam idéias autorais em animação, video-arte, documentários, longas de ficção e curtas. São 49 obras, sendo 4 longas e 45 curtas divididos em 6 programas. Programa realizado com o apoio da Fundação Japão.

[MÚSICA DO UNDERGROUND] Dedicado aos documentários sobre música, o foco este ano são os artistas. Dos músicos solitários do filme inglês Uma Banda de um Homem Só, às figuras emblemáticas de Arthur Russell e Gary Wilson, passando pelos artistas sobreviventes da região do Tsunami, na Ásia, do filme Laya Project. Um dos mais badalados documentários deste ano, Combinação Selvagem: Um Retrato de Arthur Russell traz toda a importância da obra desse músico reconhecido na cena erudita, experimental e disco. Já o filme, Você Acha Que Me Conhece Realmente, de Michael Wolk, tenta entender como um artista como Gary Wilson faz um disco memorável e desaparece. O programa traz também o documentário sobre a banda Joy Division, e os jovens de Reno, EUA, que puderam filmar e acompanhar os bastidores do show da banda Sonic Youth.

[PREMIERS FILMS] Numa edição na qual o INDIE está focado no cinema contemporâneo e na nova geração de diretores não poderia faltar um programa dedicado aos primeiros filmes. São cinco cineastas estreantes vindos do sólido cinema francês. Destaque para os filmes que estarão estreando no país: Tudo Perdoado, da ex-crítica da Cahiers du Cinéma, Mia Hansen-Love, que foi exibido na Quinzena dos Realizadores de Cannes (2008); e 7 anos, de Jean-Pascal Hattu que participou de diversos festivais tais como Veneza, Roterdã, Toronto e San Francisco.

[NOVA ESCOLA DE BERLIM] Um novo movimento surge em 2001 no cinema alemão. Alguns começam a chamá-lo de “Nova Escola de Berlim”, mas críticos alemães arriscam e o catalogam como “Nouvelle Vague Alemã”. Três novos diretores fazem parte do início desta “nova onda”: Angela Schanelec, Thomas Arslan e Christian Petzold. Todos estudaram na dffb (Deutsche Film und Fernsehakademie Berlin) com artistas importantes como Harun Farocki. A filosofia da Escola se consagra no espírito indie: muita energia e baixo orçamento. Serão exibidos 5 filmes importantes dessa nova onda como Entardecer, de Angela Schanelec; Fantasmas, de Christian Petzold; e Bangalô, de Ulrich Köhler.

[CINEMA DE GARAGEM] O INDIE abre espaço ao vídeo autoral brasileiro. São 34 curtas – divididos pelos temas Sonhos, Gravidade, Caracteres, Inclassificáveis - realizados de forma independente, num programa que teve curadoria do artista Dellani Lima. O vídeo brasileiro, lírico, poético, punk e documental.

O INDIE 2008 acontecerá no Cine Humberto Mauro e nas 4 salas do Usina Unibanco de Cinema. Os ingressos estarão disponíveis nas bilheterias dos cinemas, 30 minutos antes de cada sessão (não há entrega antecipada).

A programação completa pode ser conferida no site www.indiefestival.com.br e no blog oficial do evento em http://blogindie.blogspot.com/.

SERVIÇO
INDIE 2008 – MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL
09-16 de outubro, bhz.

||| LOCAIS:
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes – Av. Afonso Pena 1537 – Centro - BH
Usina Unibanco de Cinema – Rua Aimorés 2424 – Santo Agostinho - BH

|| INGRESSOS: ENTRADA FRANCA
Ingressos disponíveis nas bilheterias dos cinemas, 30 minutos antes de cada sessão.

|| ABERTURA
DIA 09.10 | 20 h | Cineclube Unibanco Savassi - somente para convidados – exibição do filme francês A Fronteira da Alvorada, de Philippe Garrel.
O filme será exibido novamente, numa sessão aberta ao público, no dia 10.10 – 21:30h - Usina 1.

||| DIÁLOGOS INDEPENDENTES: relatos sobre a criação, o filme e seus processos subjetivos.
Eles: Sobre a criação, o filme, o fazer, a experiência de filmar.
Ele: Sobre o olhar do outro, a expectativa, a idéia.

Primeiro Dia – 10.10 (sexta) – Usina 3 - 21:00h.
Marcelo Galvão (Rinha) e Carla Gallo (O Aborto dos Outros)
Mediação: Cássio Starling

Segundo dia – 11.10 (sábado) – Usina3 - 21:00h.
Carlos Nader (Pan-Cinema Permanente) + Eryk Rocha (Pachamama) + Gibi Cardoso (Tomba Homem)
Mediação: Cássio Starling

||| MAIORES INFORMAÇÕES:
Para o público: 31 8544.9902
Para a imprensa: 31 32968042 \ 99689414
Site: www.indiefestival.com.br
Blog oficial: http://blogindie.blogspot.com/

Sábado, Outubro 04, 2008

O REMÉDIO, O VENENO E SEU ANTÍDOTO




Vem aí o livro Saga Lusa – o relato de uma viagem de Adriana Calcanhotto...

Voltei do segundo show pálida, trêmula, mas mantendo a pose no meu deslumbrante robe azul. Subi no elevador com uns africanos que se entreolhavam, tentando localizar de que tribo são as senhoras que andam de robe de veludo e havaianas, com uma braçada de flores na mão e olheiras que as fazem parecer um urso panda disfarçado de cantora – vestida e com a maquiagem borrada pela ex-mulher do Gerald Thomas. Eu tremia de frio, mas sorri, claro, pros africanos. Tomei um banho quentíssimo, durante longos minutos porque, pra mim, esta é a melhor hora dos shows e porque precisava me aquecer e não conseguia. Um urso panda certamente não se enganaria, mas eu, até então, não tinha me dado conta de que estava ardendo em febre e que um banho pelando não ajudaria muito, sabe que o QI das cantoras...

Eu mesmo já me encontrei em situações bem parecidas às que a Adriana relata no livro. No meu caso, a própria escrita era a febre. Já passei dias e noites de cama por simplesmente querer escrever o poema que não escrevi. Isso é o que chamam popularmente de "querer tirar leite de pedra". Existe um momento em que, mesmo dominando muito bem as palavras e tendo o dom de reinventá-las de forma poética, nos sentimos impotentes, débeis diante daquilo que, se por muitas vezes pareceu ser o alívio, o remédio, num determinado momento se transforma no mais perigoso veneno.

Pode-se dizer que em alguns momentos da vida nos encontramos numa espécie de “farmácia”, na qual se torna difícil, e às vezes impossível, separar o remédio do veneno. O verdadeiro e o falso. O crédito da palavra e a palavra desacreditada. Saga Lusa parece ser para Adriana, sua autora, e o seu possível leitor, uma inequívoca alternativa para a solução desse problema. O remédio, o veneno e seu antídoto.

DEVENIR-DEVIR

(POEMA ABJETO)

para vera casa nova


do mais novo visível:
poema-ruptura
objeto

curto-circuito
em longas reinvenções
de tempo e espaço
na representação
do livro.

/.
pensar o abjeto
tocar o objeto
enlouquecer o subjétil.

Nas entrelinhas da leitura
uma carta luminosa
d e s c r e v e
tamanho afeto
c
o
n
s
t
r
u
i
d
o
no plural:

Multiplas vozes
Multiplos corpos
o livro é uma eterna continu-ação
do por vir.


a letra é a fronteira
entre o pulso
e o tom.
- livro-pensante -
mallarmaico dedilhar
das páginas
(em branco)

imag(em)ação
passagem:
paisagem

o livro por vir
se conclui
no encontro do

O U T R O.


[LIMA, Hugo]

Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Em meio aos palacetes gigantes
Escutando os gritos dos paletós
e a algazarra da multidao
a exaustidão toma conta do corpo,
alias, não há mais corpo
só uma voz fanha que não se ouve

Terça-feira, Junho 10, 2008

P A I D E U M A

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Os poetas
Carolina Lara, Hugo Lima, Michel Mingote & Raíssa Machado
convidam para o lançamento de

P A I D E U M A

com Makely Ka, Marcelo Dolabela, Carlos Barroso, Francesco Napoli, Eder Rodrigues, Zéfere e Vera Casa Nova.

Ilustrações e arte de João Maciel, Luana Aires e Rafael Perpétuo.

+ Lançamento dos livros:

Carimbós/Carimbos-quase-complexos - 1977-2007 (Marcelo Dolabela)
Carimbalas (Carlos Barroso)

+ Performance surpresa e Ações.

Sábado ● 14 junho 2008 | A partir das 12h.
Livraria e Editoria Scriptum
Rua Fernandes Tourinho, 99 - Savassi, BH
+ Info: 31 3223 1789

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O “Paideuma” é um fanzine-dobradura que busca uma dicção experimental para as múltiplas possibilidades do epigrama. Neste número de estréia, traz poemas de: Carlos Barroso, Carol Lara, Eder Rodrigues, Francesco Napoli, Hugo Lima, Makely Ka, Marcelo Dolabela, Michel Mingote, Raíssa Machado, Vera Casa Nova, e Zéfere; e imagens dos artistas plásticos: João Maciel, Luana Aires e Rafael Perpétuo.

Os livros trazem uma característica especial: são impressos com carimbos. O “Carimbalas” é artesanal, todos os poemas e texto de apresentação foram carimbados manualmente. O “Carimbós” teve sua arte realizada a partir de carimbos, porém foi impresso xerograficamente, esta opção se deu pela diversidade de formatos de poemas – do haicai ao poema visual – que inviabilizaria sua produção manual.

Ambos põem em circulação uma das técnicas – Rubber Art – mais utilizadas pelas vanguardas poéticas e visuais – Dada, Modernismo, Poesia Concreta, Poema Processo, Poesia Marginal e Arte Postal. O carimbo, de símbolo da burocracia, se transforma em linguagem e suporte artísticos. Da forma mais primitiva de se reproduzir um texto se amplia em uma inventiva técnica de se compor o texto poético.

A partir das 13h, haverá um recital-ação-performance com os poetas participantes do fanzine.

Os livros serão vendidos a 10$
& o fanzine será distribuído gratuitamente.

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Segunda-feira, Maio 05, 2008

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

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O meu amor partiu
em cesariana
e o que restou
foi a dor
de uma saudade
prematura

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Sexta-feira, Maio 02, 2008

O O(LH)O

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o olho observa
o centro do
corpo:

o olho não vê,
mas observa
o olho não enxerga,
mas admira.

o olho se abre
e se fecha.
o olho descansa,
dilata a
pupila.

o olho não lê,
mas interpreta
o olho não cega,
mas revista.

o olho observa
o centro de
si mesmo

olho que se vê
[até onde vai a vista]
..........................

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Terça-feira, Abril 15, 2008

RESPOSTA

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De: Paula Santoro
Para: Hugo Lima
Assunto: Obrigada



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Quinta-feira, Abril 10, 2008

PRIMEIRO-ENCONTRO (I)

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Para M.F.O,
em 9 de abril de 2008.


“Sem calma, sem ar, sem chão”
te encontrar
foi o big bang!

parte de mim era o caos
outra parte
dispersão!

um silêncio, muitos risos
um história de cinco anos
um café, um cigarro
Bonno, livros, Miró...
dispersão!

sem lugar, sem espírito
sem reação alguma
que me fizesse
despertar do sonho.

face-a-face
corpo-a-corpo
dois abraços
meus deslizes...

era Caio Fernando Abreu
era Eu, era Você
éramos “Aqueles Dois”
num deserto de almas
todas desertas
dois seres especiais
de imediato, se
(re)conhecendo.

sim, o encontro
o primeiro, o imaginado
o tão esperado!
(borboletas na barriga,
frio no estômago)
não o primeiro,
sequer, o último.

e eu, mesmo tenso,
mesmo dissipado,
garanto:
(re)encontrei nos seus olhos
a metade-perdida
de mim.

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POEMA-CANÇÃO

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Para Paula Santoro,
escrito durante o seu show realizado no Museu de Artes e Ofícios
na última terça, dia 8 de abril.



Sua voz

É a paz que ecoa

Harmoniosamente

Pelos pés direito

E esquerdo

Da Estação Central.


É sustenido de corpo

Leveza de tom

Canto que paira etéreo

Na galeria de som

Reinventando o Ofício

Da Música que toca.


Sua voz

Por si só, é a dança

Fluindo serena

Pelo tempo-espaço

Do salão principal


Desenhando no ar

Todas as notas

Que elevam a alma

Ao ápice do espírito.


É o infinito!

É a imensidão!

Sua voz é isso que pousa

Entre o jazz e o samba

Do meu poema-canção.


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Segunda-feira, Março 31, 2008

MUDEI DE NÃO MUDAR

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sim, eu cortei os cabelos
sim, eu cortei os próprios cabelos
sim, eu mesmo cortei os meus próprios cabelos
sim, eu mudei
sim, eu mesmo mudei
de mim.

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Sexta-feira, Março 28, 2008

HILDA :: DE UMAS SAUDADES!

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Ah, se eu soubesse quem sou.
Se outro fosse o meu rosto.
Se minha vida-magia
Fosse a vida que seria
Vida melhor noutro rosto.

Ah, como eu queria cantar
De novo, como se nunca tivesse
De parar. Como se o sopro
Só soubesse de si mesmo
Através da tua boca

Como se a vida só entendesse
O viver
Morando no teu corpo, e a morte
Só em mim se fizesse morrer.

[HILST, Hilda]

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Domingo, Março 23, 2008

INSTRUÇÕES PARA PINTURAS (FRAGMENTOS)

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pintura para ver os céus


fure dois buracos em uma tela.
pendure-a onde você possa ver o céu.

(troque-a de lugar.
experimente tanto a janela da frente como a de trás,
para ver se os céus são diferentes.).

pintura para o vento

corte um buraco em uma sacola cheia de sementes de qualquer tipo
e coloque a sacola onde haja vento.

pintura para enterro

em uma noite de lua cheia, coloque uma tela em um jardim
de 1h00 da tarde até a madrugada.
quando a tela estiver totalmente tingida de rosa
pela luz da manhã, desmonte-a ou dobre-a e enterre.

as formas do enterro:
1) enterre-a em um jardim e coloque um placa com um número nela.
2) venda-a ao mendigo.
3)jogue-a no lixo.

pintura de fumaça

incendeie uma tela ou qualquer pintura pronta com um cigarro
a qualquer hora por qualquer periodo de tempo.

assista o movimento da fumaça.
a pintura estará terminada quando toda a tela se consumir.

pintura para bater um prego

bata um prego em um espelho, uma tela, uma peça de vidro
ou metal a toda manhã.
pegue também um cabelo que tenha caido quando você se penteou de manhã
e amarre-o no prego.
a pintura estará terminada quando a superfície da tela
estiver coberta de pregos.

pintura do pingo d'água

deixe água gotejando.
coloque uma pedra debaixo.
a pintura estará terminada quando as gotas fizerem um furo na pedra.
você pode mudar a frequência das gotas d'água a seu gosto.
você pode usar cerveja, vinho, tinta, sangue, etc. ao invés de água.
você pode usar uma máquina de escrever, sapatos, um vestido, etc.
ao invés da pedra.

pintura a+b

corte um círculo em uma tela A.
coloque uma figura numérica, uma letra romana,
ou uma katakana na tela B em um ponto aleatório.
coloque a tela A sobre a tela B e pendure-as juntas.
a figura na tela B pode aparecer, pode aparecer parcialmente,
ou pode não aparecer.
você pode usar pinturas velhas, fotos, etc. ao invés de telas.

pintura para ser construída na sua cabeça (1)

tente transformar uma tela quadrada na sua cabeça
até que ela se torne um círculo.
escolha qualquer formato no processo
e pendure ou coloque na tela um objeto:
um cheiro, um som, ou uma cor que venha à cabeça
em associação com o formato.

pintura para ser construída na sua cabeça (2)

bata um prego no centro de uma peça de vidro.
imagine enviando os fragmentos à endereços escolhidos
aleatoriamente.
memorize os endereços e os formatos dos fragmentos
que você enviou.

retrato de maria

envie uma tela à Maria de algum país
e peça à ela que envie a tela à próxima Maria
de algum país para que ela faça o mesmo.
quando a tela estiver cheia de fotos de Marias,
ela deve ser enviada de volta ao remetente original.
o nome pode não ser Maria.
pode ser um nome fictício e, nesse caso,
a tela será enviada a diferentes países até que uma pessoa
com aquele nome seja encontrada.
o objeto a ser colado na tela não precisa ser uma foto.
pode ser uma figura numérica, um inseto, ou uma impressão digital.

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Quinta-feira, Março 20, 2008

(MUTE)LINGÜISMO

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ich spreche kein Deutsch
je kan ikke tale dansk
no hablo español
en puhu suomea
je ne parle pas français
ik spreek geen Nederlands
nen besélek magydrul
i can't speak english
non parlo italiano
jeg sneakker ikke norsk
nie mówie po polsku
jag talar inte suenska
nem lurin ce sky

alguém aqui fala português?

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Terça-feira, Março 18, 2008

MIRÓ REVISITADO #1

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versão : repeat / p&b : 2x2 | 6x6

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PRONOMINAIS

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Convergência de pronomes pessoais

em uma única palavra:

euvocê
vocêeu

Mistura, hibridização, contaminação recíproca
de um pelo outro: de eu por você, de você por eu
numa coisa só. Êxtase do objeto.
Síntese ideal do desejo.

Instrumento de negociação para ações
de uma alteridade incorporada, em fuga.

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LOCOMOTIVE


[LIMA, Hugo]

Sexta-feira, Março 14, 2008

DA MINHA COR, DO MEU GESTO

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d a m i n h a i m e n s i d ã o


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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

POR ONDE ANDARÁ DORA GRAY? - Part 1

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Pelos poemas que li
Pelos livros que queimei
Pelos signos tatuados pelo corpo

Pelos filmes que não vi
Pelos discos que arranhei
Pelas minhas mãos, pelos meus pés, pelo meu rosto

Pelos reflexos no espelho
Pelas saídas de ar
Pelos buracos nas paredes do quarto

Pelas cartas que escrevi
Pelos objetos que encontrei
Pelas verdades que decidi não contar

Pelas janelas que abri
Pelas plantas que reguei
Pelas Orquídeas, Hortências, Sempre-Vivas

Pelas casas que demoli
Pelos pulsos que cortei
Pelos bilhetes que agora estão rasgados

Pelas promessas que não fiz
Pelas vezes que voltei
Pelas madrugadas que saí sem avisar

Pela família que eu não quis
Pelos amigos que matei
Pelos segredos que achei melhor não confessar

Pelas coisas que ouvi
Pelas marcas que deixei
Por tudo o que eu sei e está guardado

Pelas saudades que senti
Pelos gritos que abafei
Pelo tormento que sempre me leva a perguntar

[d-e-s-e-s-p-e-r-a-d-a-m-e-n-t-e]:
- Por onde andará Dora Gray?

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POR FRED FURTADO

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É sana a casa de poeta que abre livro e chama pena de poetas para bailar lancinante dentro das almas que visitam a casa. Entre aspas eu entrei assinando minhas letras pelas palavras escolhidas, colhidas a dedos, regadas a punho, carimbadas a dígito. Um brinde de cafés. Degustação de cappuccinos. Apreciação de conhaques. Fumaça de cachimbos. Tudo faz bem a essa alma agradecida, embevecida de ternura por poder aqui se deitar literalmente, escorrer-se em cachoeira apalavrada. Aqui eu rascunho um deleite único: poetizar o cotidiano.
Texto de Frederico Furtado postado na extinta Casa [In]Sana.

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Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

'CAUSE I'M ON VACATION!

"porque eu estou de férias!"



AUTO-PSIA!

sofro de cAtaRse crônica!

[SEGREDO]

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"Para quê(m)
era o poema?"
era o ponto.

Fenda
de laços azuis.

entre o céu
e o mar
era o vasto.

brando espaço
entre nós.

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SONHO DE ARTISTA...

Quando crescer quero ser Jonas Rocha!...

Domingo, Dezembro 30, 2007

2oo8!


OBRIGADO!

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"Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!"
(Carlos Drummond de Andrade)

Agradeço à todos aqueles que contribuiram o bastante para que eu pudesse perceber, mais uma vez, os valores essenciais da vida.
Obrigado pelas mãos estendidas, pelos aplausos e pelos sorrisos doados.
Espero, no próximo ano, retribui-los com o mesmo carinho, a mesma leveza e as mesmas alegrias de sempre.

Sorte, saúde, paz, amor, música e poesia para 2oo8!

Tim Tim,
Hugo Lima.


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STARRING.

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Ele é indie, mas reconhece e assume as influências do punk, do folk, do rock, do britpop, do Lo-Fi, do hippie, do samba, do jazz, da bossa nova e até mesmo de movimentos como o tropicalismo, o cubofuturismo, o dadaísmo, o surrealismo, o minimalismo, o concretismo, a digipopart e a artbitch. Eu definiria como um kitschnightboy psicodélico um tanto quanto diabolique! Há quem diga que ele chega a ser inovador sem deixar de ser clássico, outros apostam numa pseudoloucura crônica. Entretanto, trata-se de um simples poeta pós-moderno que transita entre a alta costura underground e poesia contemporânea. É fascinado por cores, fala inglês e espanhol, adora pão-de-queijo, curte Björk, Cibelle, João Gilberto, Laika, Massive Attack e o mais vasto universo da boa música. É comum encontrá-lo pelos cafés de Belo Horizonte, movimentada cidade do oeste europeu de Minas Gerais onde vive numa enorme casa pintada de amarelo. É zen-hindu, medita, gosta de incenso e prefere alimentos secos, integrais e desidratados. Não dispensa boas taças de champagne, mas está muito bem servido com chás de morango ou sucos naturais. Sobre moda, arte que pesquisa intensamente desde os 13 anos, diz que sua inspiração vem do pside, do cyber, do punk, do folk, do clown e do conceito de estilistas como Reinaldo Lourenço, Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura, Viktor & Rolf, McQueen, Donna Karan, Victor Charlier, João Pimenta, Paulo Carvas, entre outros. Seu visual é essencialmente psidepunk, um pouco esquisito, mas altamente sofisticado, com muito movimento, descontração, buttons e acessórios coloridos. “Sei que sou extravagante e não me importo em parecer blasé. Moda é se sentir bem, não viver de grife!” – esclarece. É ascético, divertidíssimo, tem bom senso, não abre mão de boa educação e está entre os mais elegantes que eu conheço, sempre esbanjando sensualidade e simpatia. Causar emoção, reorganizar as coisas, traduzir o intraduzível, fotografar o instante, registrar o inexistente, dar cores à rotina acizentada do cotidiano são algumas das tarefas diárias deste poeta que, apesar de possuir uma escrita muito delicada e pontuada pelo abstracionismo filosófico, garante que sua poesia não quer responder, mas sim, indagar ainda mais o caminhante apressado que se perde pela multidão da cidade grande. Seus versos acontecem o tempo todo, do lado de dentro ou de fora da gente. Estudante de Letras, pretende se especializar em poéticas contemporâneas. É viciado em livros, desenha, rabisca, fotografa, inventa, decora, colore, recorta, recicla, canta e faz música moderna brasileira. É dono de uma das vozes mais etéreas que já ouvi, já cantou acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Palácio das Artes e, em 2003, colaborou na organização de duas exposições minhas em parceria com o crítico de arte e também poeta, Erthal Terra. Atualmente, publica seus trabalhos na Casa Sana e escreve para os sites da poeta, atriz e estilista, Larissa Mighin, e do publicitário Igor Amin. Para 2oo8, pretende dar continuidade aos estudos, ampliar a Casa Sana e criar projetos artísticos.

Por Gustavo Malheiros. 1º novembro de 2oo07. Londres, Inglaterra.

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Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

DE NATAL

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Merry
Merry
Merry
Christmas
From
Myself
_

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

GESTALT

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Aos poucos vou-me
fazendo parte de um todo.
Vou-me partindo
quebradiço que sou
para que, pelas metades,
possa me constituir por inteiro.

Aos poucos vou-me
repartindo
distribuindo-me aos pedaços
desmembrando parte por parte
para que, em fragmentos,
possa insinuar completude.

Aos poucos vou-me
desfazendo
cortando meus dobrados
destroçando minha carne
para que, em partes,
eu disfarce
e minha nudez
e a minha loucura.

Aos poucos vou-me
pouco a pouco,
parte a parte,
ponto a ponto...

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O INCESTO AUTOFÁGICO - Part. 1

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se esgota numa gota
sobre mim
vaidades
que de me olhar
me abstenho
como que se desejasse
a mim mesmo
uma parte do meu corpo

e se pouco declamo
era o dito
uma palavra que se entranha na boca.
bom senso
sem teor algum
e penso:

talvez fosse melhor não pensar
no desejo
é tudo aquilo que arde na boca
a minha vontade (de não provocar)
o incesto.

primeiro, corto a lingua e observo:
sou o mínimo das virtudes do desejo
ALMA - ou outra forma de corpo.

para deglutir os restos
basta um pouco da dura promessa
de um vício tempestuoso.

- AAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!

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Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

RESOLUÇÃO¹

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o afeto é a arte de se envolver
com a alma.
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OFÍCIO

escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo

ADDRESS


Segunda-feira, Outubro 22, 2007

TRECHO

escrevo desde pequeno. escrevo compulsivamente. preferencialmente à noite, com a ajuda de um colírio "Lirim" para enxergar melhor. escrevo para sobreviver. escrevo para mim mesmo, ao léu, sobre lembranças do dia, sobre pessoas que não sei mais o nome. meu livro de cabeceira é a biografia de Paracélcius - médico suíço, alquimista que não buscava ouro, mas remédios e que morreu ao ingerir o elixir da longa juventude, tão almejado, finalmente descoberto.

COISAS ERRADAS QUE PAULO ESCREVEU

CORÍNTIOS 11:14 - A natureza vos ensina que é desonra para um homem ter cabelo comprido.

EU RESPONDO: Jesus Cristo é cabeludo!

CORÍNTIOS 14:34 - Que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas, como diz a lei. Se desejam instruir-se sobre algum ponto, perguntem aos maridos, em casa.

EU RESPONDO: Não é proibido falar!

CORÍNTIOS 11:09 - O homem não foi criado para a mulher, mas a mulher foi criada para o homem.

EU RESPONDO: A pessoa tem que ser livre!

CORÍNTIOS 11:03 - Quero que saibas que Cristo é a cabeça de todo homem e o homem é a cabeça da mulher e Deus é a cabeça de Cristo.

EU RESPONDO: Deus é a cabeça da mulher também!

Segunda-feira, Outubro 15, 2007

dO PoEtA


4x4

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vivo leve e amo solto
sou de tão cruas delicadezas
de tão simples palavras
gosto de inverno e de livros
de janelas abertas, bem abertas
sou daqueles que experimentam a vida
que tocam a arte com a alma da mão
sei que às vezes sou triste
(e gosto de ser melancólico)
de admirar dias nublados, espaços vazios e ruídos da chuva,
mas também gosto de azul
de orquídeas e de sol.
adoro fotografias e cheiro de mar
e um pouco de mim
é também um pouco do céu
e do silêncio noturno.
gosto daquilo que de tão simples
é de se amar: como a casa em que me visto
e a poesia que me escrevo.
gosto do mês de abril quando,
mesmo despedaçado,
traz a saudade de um velho amor.
falo pouco, mas revelo muito através dos olhos
que, apesar de castanhos, têm espessa claridade.
gosto de gente que se desprende,
de atores e atrizes,
bailarinos e poetas
e pintores e palhaços e arquitetos...
(e de gente sem limites pra encantar).
invento moda com meus badulaques e balangandãs.
gosto de cores, arco-íris e fovismo,
de objetos em acrílico, fibra, plástico, vidro e borracha.
gosto dos recicláveis!
não tenho tempo para os que pensam
que a vida passa sem que precisemos nos renovar.
não tenho tempo para os que pensam
que a vida passa sem que precisemos sair do lugar
porque eu gosto é do movimento,
(e dos ousados!)
dos corpos em transe,
da dança e do trânsito,
das voltas do mundo.
eu gosto é da música tocando no fundo,
trilhando a vida,
embalando os sonhos, cruzando caminhos.
eu gosto do encontro de dois,
do instante à sós, do desejo,
da língua entre os dedos, do vermelho,
do barulhinho bom que a gente faz no ato do amor,
da entrega de corpo e alma,
do suor do outro, do perfume, do incenso,
da meia-luz,
do sorriso após o gozo, do abraço
e do banho.
gosto do carinho natural que parte de mim para o outro
e vem do outro como doação.
(eu gosto é dos intensos!)
eu não lamento passados nem dou asas ao futuro
planos eu faço com barquinhos de papel
eu materializo o carpe diem
porque o agora é o agora e sempre.
eu não sou pessimista nem sonho demais
eu só acho que a vida simples faz muito mais sentido
sem brigas e pré-conceitos e tantos vícios mesquinhos
e acredito que ser elegante é ser natural
(não ser comercial, mas bem-estar-bem!)
porque o silêncio dói muito mais do que um tapa
e a indiferença já salvou muitas vidas.
eu gosto é de cuidar dos amigos
e conhecer gente nova e diferente
que é pra provar que há sempre um "por vir"
e um conceito novo a se ter,
romper barreiras e trocar idéias sobre o bom e o mau gosto.
eu gosto de filmes pacatos
(franceses, de preferência!)
de vidinhas bucólicas em ambientes urbanos.
gosto de curvas e antenas e paralelepípedos
elevadores e avenidas e prédios e praças
e bares e pubs e cafés e lounges e montanhas
e do belo horizonte das minhas Minas Gerais.
gosto de plantas, de árvores, de sombra, de mar, de pássaros
e dos meus pés.
eu gosto da cama e do meu quarto e dos meus discos
e cds e do computador e das paredes e da minha máquina de escrever
e das cartas que recebo e respondo com prazer
e do cigarro queimando enquanto penso nas palavras
e da inspiração que me perturba de vez em quando
e dos desejos que me tiram o sono...
gosto da manhã
(do amanhecer, exatamente)
e da tarde
e à noite eu me liberto.
eu sempre acho que um grande amor ainda vai me arrebatar
e que vamos ao cinema juntos, num domingo, e tomar sorvete
e brincar com a pipoca e dizer que foi tudo lindo antes mesmo de acabar
mas sem esse negócio de contos de fada e vida de filme.
eu me apaixono fácil e sou essencialmente romântico,
mas eu preservo a individualidade,
gosto do que é particular,
gosto de vidas entrelaçadas pelo amor
mas independentes pela razão.
eu não tomo conta, eu cuido
e não gosto dos ciumentos, mas sim, dos que me prezam.
ciúme é acúmulo de dúvida e incerteza de si mesmo.
ciúme é o mal do amor.
por isso, vivo leve e amo solto,
deixo ser e estar, deixo o tempo passar a seu tempo
sem pressa, sem medo, sem dúvidas.
tem dias que acordo com o mundo virado,
com ódio dos humanos e com pavor de mim,
tem dias que me levanto querendo ser um caramujo
e gosto que me deixem assim, recolhido,
porque é nesses dias que eu realmente me olho no espelho.
mas eu sou bem leve e azul
e gosto de sorrisos.
também sou tímido e reservado,
mas sei tocar trombeta e botar a boca no trombone
e gosto de samba,
de mãos e de pés e de olhos e de nucas
e de nervos expostos
e de estórias escritas com fatos
e termino com os versos de um poema catalão que diz:
"oh, sobretudo amo a sagradavida e o murmúrio do vento
nos galhos que se alçam em direção à luz!"


*Proclamado por Hugo Lima no Café do Palácio no dia 13 de outubro, gravado em mp3 por Nina Ruiz Wëg e taquigrafado por Nelson Nobu.

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TODA A LEVEZA DO CÉU


Segunda-feira, Outubro 01, 2007

AgENdA


02/10
18h30 Jardins internos do Palácio das Artes
Projeto Terças Poéticas [Entrada franca]
Poetas Evaldo Leoni, Ivana Andrés e Luciano Luppi
& Homenagem Fernando Pessoa
05/10
23h Confessionário Lounge Café
Av. Bernardo Monteiro, 1.453 - Funcinários [$10]
"Além do que se vê - Viva o Surreal!"
06/10
16h Palácio das Artes
Galeria Alberto da Veiga Guignard [Entrada franca]
Exposição "Poesia Concreta - O Projeto Verbivocovisual"
17h
Cine Humberto Mauro [$5 - $2,50(meia)]
Mostra de Cinema Indie Mundial
09/10
17h Palácio das Artes
Espaço Mari'Stella Tristão [Entrada franca]
Exposição "Ô de dentro, ô de fora" - Diversas Linguagens
19h
Espaço Mari'Stella Tristão [Entrada Franca]
Bate-papo e lançamento do catálogo
com a presença do escritor Ronaldo Guimarães
20/10
16h Cine Humberto Mauro [$5 - $2,50 (meia)]
Mostra Inéditos em BH (Filmes em 35MM)
20h
Mostra de Cinema Espanhol Atual 2007
22/10
19h Palácio das Artes
Cine Humberto Mauro [Entrada franca]
Cineclube CurtaCircuito
24/10
19h Palácio das Artes
Cine Humberto Mauro [Entrada franca]
Mostravídeo Itaú Cultural
27/10
20h Palácio das Artes
Cine Humberto Mauro [Entrada franca]
Imagem e Pensamento
28/10
18h Não divulgado
PONTO DE ENCONTRO
Café do Palácio (de 30 a 40 minutos antes de cada evento).
*Todos os eventos ocorridos no Palácio das Artes seguem as datas, os horários e os preços publicados na programação da Fundação Clóvis Salgado e podem sofrer alterações
*** E eu não me responsonsabilizo pelas mesmas.***

Sábado, Setembro 29, 2007

dO Poeta


.de escrever.
.

AUSÊNCIA DE MIM

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desejo estar distante
mais longe dos meus pensamentos
exilado de tudo o que me condiciona
não quero mais me corresponder com as palavras
não quero mais a mesma fuga, não quero mais a mesma dor
mas quero outra vez a mesma saída
o mesmo exílio da alma
o mesmo descanso de sempre
serão inúteis todas as outras palavras
serão inúteis todos os seus gestos
todos os meus apelos não vão me libertar
mantenho a idéia fixa de me fixar
no menor ponto de mim
e ali me guardar
concêntrico
mas não a morte, contudo
só o silêncio, só o escapar de mim
só o me guardar
só a mesma solidão
e a tristeza ao meu redor
só o mesmo quarto frio
as mesmas páginas, o mesmo vinho
e a caneta a deslizar meus sentimentos


***poema escrito em meados de 2004.

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CONSTELAÇÃOdoCÉUdaBOCA

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arqui-
pé-
lago-
de luz mascável

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ATE NU AR

.
ATE
NU
AR
ATE
NO
AR
.

Terça-feira, Setembro 25, 2007

POR NELSON NOBU

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CYBERPOET, LITERALMENTE FALANDO...
*Por Nelson Nobu

Hugo Lima é o mais novo integrante do site CIBEREXPRESSANDO, criado pelo publicitário Igor Amin. Além da Casa Sana, seu blog oficial, e do "O(lh)ares ao Co(r)po", onde escreve ao lado de poetas como Larissa Minghin, Roberto Leonan, Jonas Rocha, Paula Gicovate, CJ, Ricardo Siqueira, entre outros, Hugo ingressa agora num espaço reservado à expressão multimidiática onde a sua poesia interage ciberneticamente com diversos outros contextos verbivocovisuais. Em seu texto de estréia, SELF-PORTRAIT, ele faz uma reconstrução de "Auto-Retrato", uma espécie de 4x4 escrito em meados de 2006. Um verdadeiro cartão de visitas literário que marca, "em bons tons", mais um grande momento na vida de um dos mais novos autores da poesia contemporânea. Vale a pena conferir!

Leia também:

O(LH)ARES AO CO(R)PO
COMUNIDADE "O POETA"

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Segunda-feira, Setembro 24, 2007

AOS TEUS

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tarde
que se põe
entre os
dedos

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ERRÂNCIAS

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Sob um céu de lona
traço
um retrato do amor quando jovem.

Poesia. Pois é, poesia.
De Décio
ao Pignatari azul,
na contracomunicação de
vocogramas.

Entre medula e osso,
a geléia geral.

(Arrisco um risco de
Schoemberg.)

Ainda resta, no resto da tarde,
o rosto da memória.

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Sexta-feira, Setembro 14, 2007

dO PoEta


::: pausa pr'um café :::


photo by Hugo Lima

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

A PAISAGEM

OU
OUTRA FORMA DE CORPO
OU
TRADUÇÃO DE UM SONHO EMPÍRICO

[Todas estas palavras me foram ditas num sonho]


Sou como o caracól que pousa nos olhos da planta
ou como a arquitetura da casa que é o meu corpo.

Sou como o ventre da tadre, as mãos do amanhã
os pés da noite-madrugada que persegue o meu sono.
Eu sou o silêncio ensurdecedor do desejo.

Sou o canto de um pássaro, uma phoenix de asas douradas.
Sou só mais uma porção de mar, um grão de areia,
os braços de um rio que abraça o oceano.
A textura dos meus dedos é o adeus pontilhado na sutileza dos meus gestos.

Cada vão de mim é um céu aberto, um vôo de asa-delta
pelo ar dos meus sonhos.
Um florão no meu peito
que enfeita o teto da casa de pedra-pomes.
Tenho pés-de-vento, capim dourado nos cabelos,
pedaço de brisa no olhar, que é triste, senão, azul
tão cinza como o mar vermelho.

Tenho cores na alma e estados de espírito.
Virtuoso colírio de alcançar nos meus olhos
o brilho das elétricas folhas secas
que caem aos pés do outono.

Tenho a leveza dos muitos dizeres,
o ruído das conchas, o assoprar das ondas,
o canto das sereias,
a palma da alma da mão,
o desvão do Éden, o edema de mar,
acúmulo de dias líquidos, chovoso delírio
de umedecer a terra com absinto.

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Domingo, Setembro 02, 2007

CARTA EXTRAVIADA

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Jaboatão dos Guararapes, Brasil - Pernambuco / Nordeste


Dia 1 de agosto do 2007

Caríssimo amigo Hugo,


Estou ritmado agora. Curtindo o beat. Sacando o groove. Indo na vibe. Sem jazz, sem folk, sem blues. Estou todo Belo Horizontado. Fragando a sensação. Hu gosto musical de Hugo Lima lima o resto do mundo agora. Estou sambando ouvindo os carros, bebendo sobre as motos, indo para a boate de ambulância (com sirenes ligadas!).

Estou todo vivendo. Em constante “não-parança”. Estou todo movido, mobilizado, lido, relido, feito traça em papel amarelado comendo o “m” da palavra. Estou te ouvindo, bailando com sua persona musical, sentindo os ritmos da sua alma. Não sou homem de detalhes (mentira) então vou sentir você na massa sonora do todo para saber quem você é (e isso talvez não seja mentira).

Estou todo abismado. Sofri uma queda em um abismo. Adentrei o vale da vida, no vão dos que estão vivendo muito, tenho me dado bem aqui.

Há sempre saudade do que já foi vivido, é bem verdade. A isso eu chamo história. História se escreve com algumas letras, portanto cartas. Cartas são diálogos costurados por monólogos, portanto atores, portanto autores. É necessária alguma direção para tudo isso, portanto comandantes do navio das vidas, portanto diretores. Para não haver sóbria e mórbida rotina é preciso alguma graça, portanto artistas, portanto brasileiros. Há que haver também algo mais que ação e reação, portanto humanos, portanto bichos homem. Há que haver um grande motivo para nos correspondermos, portanto amigos, portanto confidentes.

Te acho capaz de criar vidas, dar vida a vãos interiores genuínos ligados pelo traço da sua poesia. Você é também um rapaz abismado, Hugo, só não sei como se relaciona com os vales da vida por onde passa. Isso não importa, de fato.

Às vezes sinto você como um canal de luz que veio ao mundo trazer alguma grande mensagem. O problema é que todo bicho humano tem que carregar o tal fardo da humanidade e todas as suas necessidades. Às vezes é difícil a beça lidar com essa pequena grande variável.

Talvez seja assim com os poetas, com os artistas, com todos que trazem traços do criador. Afinal, toda criação tem um “que” de humano, toda criação tem um “que” de divino. Cabe a nós permear essa existência com busca, com alguma dúvida eterna e então aceitar o que vier.

Vamos aprender com o sertão e os pássaros. Deixemos o resto ao som do silêncio ou de alguma música. Que a vida seja uma ópera rock ou uma singela canção. Que tenha sempre um solo de clarineta. Que quando chorar, eu soe um trompete e, quando delirar, soe uma harpa.

Sou sempre próximo, Hugo, mesmo quando pareço distante. É que eu estou sempre indo, difícil é saber quando vou chegar.


Abraços fraternos,

Fred FurtadO.

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Terça-feira, Agosto 14, 2007

DO POETA


.Mesa de escrever.
.

ME OFEREÇO

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Adoro prazeres
Sei andar de bicicleta
Giro discos de vinil
Gosto de jazz
Escrevo amores no muro
Me finjo de bobo
Bebo água da chuva
Conto estrelas
Reinvento amores
Faço das tripas coração
Invento tardes poéticas
Enfeito cartas floridas
Coleciono livros
Confeito madeleines
Me lambuzo em chantili
Guardo chaves no tempo
Desenho risadas avulsas
Bordo borboletas
Costuro poemas
Recrio paisagens
Faço yoga
Fotografo dias cinzentos
Faço promessas ao pé do ouvido
Às vezes acordo nublado
Durmo de concha
Desejo noites em claro
Lustro desejos e
Transpiro madrugadas em silêncio.

Eu me ofereço pela metade do preço.

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SOBRE NÓS

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há muitos segredos...

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Terça-feira, Agosto 07, 2007

...

.

Visto-me com as estrofes de um poema sujo
Abotôo seus botões de versos
(e) ajeito frases e dizeres.
Calço as rimas e dou um nó.
Caminho palavras pela noite escura.

No bolso esquerdo, minha cultura posta em questão,
No céu da boca, a poesia em pânico,
Na ponta da língua, presságios do meu desejo,
Na ponta dos dedos, o sentimento do mundo,
Presos na garganta, poemas malditos, gozosos e devotos
E na palma das mãos, minhas primeiras estórias.

Com meus olhos de cão, enxergo além da vida
Uma passagem do tempo – transcendental e metafísica.
O caminho para a distância que se abre dentro da noite veloz
É apenas uma vertigem, uma transmutação do medo.

Sou um cão sem plumas, educado pela psicologia da composição.
Vivo a vida passada a limpo no eterno brilho de um retrato natural.
Perto do coração selvagem, guardo os desastres do amor, os subterrâneos da liberdade e as impurezas do branco.

Caminho perdido no meio do caminho
Como quem quer e não quer encontrar uma lição de coisas
Coisas que não sei o nome, coisas de um segredo oculto,
Coisas que não dizem nada, coisas que me dizem tudo.
Caminho em ritmo dissoluto. Só, triste, confuso...

Há uma gota de sangue em cada poema
Que escrevo com as palavras que caminho.
Abotôo meus versos como se perdesse a vida
Caminhando distraído pela noite escura.

Nas cinzas das horas, meu coração e meus passos
Sussurram aos meus ouvidos:
- Distraídos venceremos!

E aqui, a história se acaba
aqui, eis o fim de tudo
aqui, eis o fim que se foi
E me dispo.
[...]

.

TRANSITISMO

.

transição
transitório
transito
transmito
transmuto
transcrevo
transfiro / sentimentos
traduzo / sensações
translúcido
/ dentro do meu transsentir.
transcorro minha vida
minha lida, lida dor
dor lida
transcrita em papéis de translhetins.
De mim, saem transeuntes
transcendentes
transcendentais
transfundidos
transigentes
trasmissíveis
/ pensamento transitário
/ transmatriz.
a eloqüência / a alusão
a elucidação do meu contrário
translatário
transformação
transmaginário
trans-unção
transfusão
.......................
transitor,
transminto
transitismos
ao suportar a transição
do meu ser transitório.

.

CORRESPONDÊNCIAS

.

correspondências
correspondentes
correspondances
correspondences
correspondencia

cartas avulsas
avessas
avencas

alforria literária:
"cartas também são gestos poéticos."

.

DELICATEZ

.
"afoguei-me
mar adentro
de mim"
enquanto espero tardes de sol
você se delicia com a chuva
você faz de conta que não percebe
que a vida é um romance
e eu, no meu canto, sempre aflito
espero uma palavra, um gesto, algum sinal.
você não dorme (e eu desejo)
você não beija (e eu espero)
A gente sempre caminhando por caminhos opostos:
eu sem você - esta página em branco
você sem mim - nossa história sem enredo,
sem início, sem meio, sem fim.
.

QUANDO O AMOR DÁ ERRADO


PREÂMBULO

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ser pele
ser amor
ser leve

amar, apenas.

deixar-se por si só
e ser.

.

SER-TÃO

.

O ser-tão dos sertões
rosa, guimarães
redemoinho dos ventos
sussurruídos e retrovões
veredas, descaminhos
fabulações das passagens.

- Nonada. Tiros que o senhor ouviu
foram das travessias disparadas.

o Sertão está em todo lugar!

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DEITE-SE AO MEU LADO

.

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Deite suas noites no meu colo
e deixe-se amanhecer com meus abraços
esqueça-se no leve delírios dos meus pensamentos
e durma, com meus olhos, a paisagem do silêncio.


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N.Y.

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para Gus Braga e Nina Ruiz, amantes iorquinos de N.Y.C.


Comun-ic-ação entre
sirenes
buzinas
semáforos
olhares
gestos e
sinais

entre
hellos
e goodbyes.

.

AL QUÍMICO

.

Proust não sabe
mas, eu também me isolei.

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Terça-feira, Julho 31, 2007

MUDANÇA

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para minha querida Vera Casa Nova

Vera está de Casa Nova.
Mudou de princípios, de meios e de fins.
Só não mudou de si mesma
(nem de seus poemas).
.

NOITE

.

grão de coisa
lua
escarlate
noite
que brilha
dentro
de mim
vida
que nasce
corpo
que move
criança
que chora
com saudades
da mãe
poeta
que sofre
poema
que escreve
dia que não
amanhece
noite. só noite.
escuridão.
velas-não-se
coisa
lugar pra se guardar
lembrança
meia-noite
lua cheia
alguma coisa
dita regras
vai o morro
cavar o mundo
mundo grande
descoberta
vasto mundo
universal
raimundo
solução
edificar
é de ficar
no tempo
noite. só noite.
escuridão.
peças frias
pele morta
nausear
precisar
loucura
sangue que
escorre
gente que
passa
olho que

a vida
passada
passar
não acode
nem avisa
aterriza
aterrizar
noite. só noite.
escuridão.
silêncio
mudo
um poema
nas mãos
é meu nome
completo
Hugo
leve
nuvem
dentro
ele não enxerga
ele não escreve
ele não me encanta
canta não canta
encanta
um canto breve
ele vê
e (se observe)
no tempo
ele escreve
ele espera
dia após o outro
volta
revolta
retorna
e torna a
enlouquecer
brisa
enfim
amanhece
aparece
umedece
enlouquece
em silêncio
..................
tarde lilás
telhado amarelo
azul anil
noite. só noite.
escuridão.

.

CIDADE GRANDE

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Casas entre arranha-céus.
O dia passa depressa.
Um homem vai correndo
(o táxi também).

Depressa, meu corpo levita.

Eta vida vesga, meu Deus!

.

TRAVESSIA

.



Eu li, no final de um livro,
o início de um novo tempo:
Era o Ser-Tão.

.

CORPO EM TRANSE(TO)

.

para Linsadora Sttérferson, minha querida.


Um homem nas palavras
atos, círculos, formas
Um homem no tempo
no interior de si mesmo
Um homem nas esquinas
de uma cidade que o ultrapassa
Um homem no trânsito
no corpo de sua formação

Um homem na espera
nas janelas da alma
Um homem nas saídas
partidas e chegadas
Um homem em movimento
nos transes do espírito
Um homem iluminado
Não é deus, não é buda
nem é santo

é apenas Um homem
sem passado, sem presente, sem futuro.

.

CET APRÈS-MIDI

.

IMAGES ET IMAGES
TRONÇONNEZ LE VERRE DANS L'ÉTAGÈRE
LE PASSAGE DE LA VIE
ET PRESQUE TOUT HOURS DE LA PLACE.
LES HEURES N'ÉTEIGNENT PAS LES JOURS
MAIS ILS AINDENT POUR OUBLIER LE TEMPS.

.

DURAÇÃO

.

te repito:
era assim o gosto
da tua carne nua
branda
macia
quase crua
teu sabor de pele
teu gosto de sol
ardendo em minha boca.
teus olhos castanhos
tua cor, tua vulva
tua intensa loucura
delirante,
teu "despejar-se" sobre mim...
Sim, te repito:
e no gozo da alma em transe
o prazer de estar só
e só
no silêncio dos amantes.
te repito
te rapto
te abandono

te abduzo.

.

SLASH GLASS

.

Seus óculos escuros
não são Dolce, meu bem
são Vitta.

.

DE UM LIVRO

.

Nietzche inventou as origens do sujeito fractal
no ciberespaço e na metafísica da subjetividade.
A desintegração do objeto na era do pensamento
é comun-ic-acional.

Na sociabilidade virtual, o subjetivismo moderno
ultrapassa
a informática da comunicação.

epílogo:
semióticos prólogos
protótipos poemas
(corações) e índices.

.

ABAPORU

.
Abaporu-homem
selvagem antropógago
idéia da terra
imagem do santo
ex-voto moderno.
Abaporu-homem
homem-que-come
homem da arte
imagem do quadro
que paira no tempo.
Abaporu-homem
enormes pés plantados
no brasileiro do chão.
Há de brotar um movimento,
um cacto, um sol.
Abaporu-homem
homem da face-semente
homem do pau-brasil
"o homem do Amaral
pintado a azul anil."
.

Quinta-feira, Julho 26, 2007

TERÇA

.

para Ana Cristina César.


terça frase. terça razão.
terça metade de um todo.
terça semana. terça ação.
terça resposta.
terça diária. terça ilusão.
terça imagem exposta.
terça arte. terça à tarde.
terça cor. terça.
febres terçãs e palavras
com seus quartos sentidos.

.

ESPERA

.

Anoiteceu e
até agora
nenhuma palavra foi dita.
Ele segurou minhas mãos,
olhou-me nos olhos,
deitou-se no meu colo,
acariciou os meus cabelos,
balbuciou alguns poemas,
até tocou alguns discos
e eu, pelo visto,
dancei com o seu silêncio.

.

SOMOS SAPOS

.

Tolos que somos,
e não somos primeiros,
compreendamos:
a grande arte é como
o Louvre de joelhos!

.

VÔO-LIVRE

.

para escrever em linhas tortas:
ser Deus (de papel)
.corpo

dinamizantes sentidos
opostos-se atraem
palavras
de um dicionário [lúdico]

eu me denomino
a bo mi no
/ e exociso
o "SER"

para escrever na diagonal:
m e t a f í s i c a.

coisas sem-nome (pelo avesso)
poemas descritos
linhas retas, curvas, turvas
.sentimentos

desejos
que vão saltar
l
i
g
e
i
r
a
m
e
n
t
e
do 100° andar
de mim.

.

EM QUANTOS?

.

para Eloísa Heisenberg.


92795 2 2235 2
520 0 0 652
301 3 0 862
1699 1987 1/02
1699 522 653
6345 22 670951 0
6.

.


CYBERNÉTICA

.

A carne está obsoleta.
A partir de agora sou
proto-humanista.
apeiron?

nec plus.
ultra(?)

Quais são os desejos de um
cyborg?
Os mais íntimos?
E os mais intensos?

Videota (couch potato)
Introdrogado (information junkie)

tecnófilos, on.
tecnófobos, out!

.

APARÊNCIAS

.

isto não é isto
nem aquilo
é este

e este não é este
nem aquele
é esta

e esta não é esta
nem aquela
é nesse

e nesse não é nesse
nem naquele
é nela

e nela não é nela
nem nele
é em mim

.

EXPIRAÇÃO

.

Si, quase, guspe
Clã do jabuti
Remate de males

A poesia que não é
A frase que não diz
O movimento que não faz
Macunaíma - A paulicéia desvairada

São Paulo! Comoção da minha vida
Uma face do meu verso
que até pensei não existir...

Um pouco do sangue deste tempo
é a hemorragia de uma era
era Abapuru, tristíssimo
em seu quadro, quieto
feito de terra

.....................
.....................

Si, quase, guspe
Clã do jabuti
Remate de males

Não quero dizer nada
porque a poesia não é
a frase não diz
o movimento não faz
e eu não sou poeta.

.

Quinta-feira, Julho 19, 2007

RESPOSTA

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para Nelson Nobu


Minha poesia?
Ah, minha pobre poesia...
Tão trêmula em seus contornos,
tão simples e tão frágil,
tão assim, tão assada,
tão crua de si mesma.

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Sexta-feira, Junho 29, 2007

METRÓPOLIS

.

trânsito em transe
tensão nos sinais
velozes e vermelhos
- semáforos:

tráfego
transito entre as trapaças
dos tensos veículos
- canais:

faixas e pedestres
códigos e bandeiras
óxidos e monóxidos
- quatro tempos:

sirenes e trincheiras
túneis e avenidas
estações - e ruídos
infernais:

metrópolis.

.

Terça-feira, Maio 29, 2007

DIVERSIDADE CULTURAL

.
A reinvenção dos conceitos de Cultura
.
A convite do professor e antropólogo José Márcio de Barros, participei das mesas redondas do “Seminário Diversidade Cultural – Educação, Desenvolvimento Humano e Desdobramentos” que aconteceu nos dias 21 (Dia Mundial da Diversidade Cultural) 24, 25 e 28 de maio, no Palácio das Artes.
O Evento foi realizado pela Diretoria de Arte e Cultura da PUC-Minas, pelo Ministério da Cultura, através da Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural e pelo SATED – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão. A USIMINAS, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e a FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais patrocinaram o seminário que foi realizado em parceria com a Fundação Clóvis Salgado e com a ONG GERM - Grupo de Estudos Sobre as Globalizações. Além disso, houve o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e da Embaixada do Canadá – primeiro país a adotar a política de multiculturalismo do mundo – representada pelo embaixador Guillermo Rishchnski.
O objetivo destes debates, segundo o seu organizador, é o de ampliar a reflexão sobre as relações entre a diversidade cultural e o desenvolvimento humano. Além disso, propõe promover o conhecimento e criar competências para o trabalho com a diversidade cultural, desenvolvendo perspectivas metodológicas de atuação com o pluralismo cultural.
Participaram do evento especialistas no assunto como a representante da UNESCO, Jurema Machado, que abriu as discussões questionando a efetividade dos projetos. Para isto, foi criada uma convenção, por ser um instrumento jurídico internacional que garante a soberania dos países integrantes, no que diz respeito às políticas culturais, e por ser o meio mais forte de tratar da promoção e da proteção da diversidade cultural, uma vez que esse instrumento gera direitos e obrigações. Cinqüenta e sete paises já estão integrados à convenção sendo a Costa do Marfim o ultimo país a integrá-la. Jurema também propôs a melhora da qualidade das informações na área e a difusão das idéias debatidas no seminário através da televisão, do rádio e da Internet, veículos mais acessíveis sociedade contemporânea.
Giselle Dupin, representante da FUNARTE e do MinC, destacou a criação da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural, em Brasília, que é, até então, a única secretaria que promove e protege a diversidade de culturas do mundo. Essa secretaria visa democratizar o acesso às políticas culturais, viabilizando a comunicação entre as comunidades e o governo. Para isto, foram criados projetos como o “Prêmio Culturas Indígenas” que prestigiou iniciativas de promoção e proteção da diversidade cultural indígena, valorizando as línguas nativas, resgatando a culinária, as práticas religiosas, o artesanato, entre outros. Com essa premiação, foram contemplados 52 projetos com R$ 15.000,00, cada um, para incentivar e dar continuidade aos trabalhos. Nesse mesmo sentido, falou também o professor, antropólogo e representante da comunidade indígena Baniwa, Gersen Luciano Baniwa, sobre alguns pontos importantes para a valorização das culturas nativas como, por exemplo, a educação intercultural, as políticas de valorização das culturas indígenas, o intercâmbio entre escolas indígenas e não-indígenas, a produção de livros didáticos baseados nas temáticas indígenas, entre outros. Discutiu-se também o reconhecimento de outras línguas oficiais como o tupi-guarani.
Os afrodecendentes, os povos ciganos, os moradores do Vale do Jequitinhonha, os moradores da Juréia, os catadores de siri, dentre outras comunidades tradicionais, também contam com programas como a Fundação de Promoção e Proteção da Diversidade Cultural dos Afrodecendentes, a Fundação Cultural Palmares, etc. Os homossexuais também têm a sua identidade protegida pela Campanha Nacional de Proteção à Cultura GLBT.
O Secretário Sérgio Mamberti, representante do MinC, atentou para as leis de incentivo com representações em todas as regiões do país na tentativa de descentralizar os projetos, e para os 600 pontos de cultura que fornecem, com fundos do governo, condições para a continuidade e o aprofundamento desses projetos. No âmbito mundial, há várias intervenções do Brasil como o “Ano do Brasil na França”, as participações do país na Copa e nos jogos olímpicos, os centros culturais brasileiros em Miami e em outros lugares do mundo, entre outras.
Um ponto bastante discutido foi o que diz respeito à criação da OEA (Organização dos Estados Americanos) que, através de seminários, visa disseminar, nos países que não participam da convenção, idéias que promovam e protejam suas diversidades culturais. É importante destacar que os Estados Unidos não integra a convenção e a sua não-participação é polêmica.
O doutor Márcio Antônio Salvato, economista do IDHs – Instituto de Desenvolvimento Humano Sustentável – que participou da mesa no dia 25, fez um paralelo entre cultura, desenvolvimento humano e economia e, através de gráficos, apresentou uma espécie de “mensuração” da Cultura no ponto de vista econômico, mas sem falar especificamente em números. Um dos pontos mais importantes que o economista levantou para o desenvolvimento humano e social no que diz respeito à Cultura é ampliar as “escolhas” dos indivíduos. Existem 4 componentes essenciais no paradigma do desenvolvimento humano: eqüidade, sustentabilidade, produtividade e empoderamento. Quanto à pobreza, percebe-se uma reavaliação do conceito reconhecendo as variações do termo. O que é pobreza para quem mora no Rio de Janeiro, por exemplo, pode não ser para que vive em Manaus, e a cultura está intrinsecamente ligada a essa questão.
A antropóloga Tânia Dauster, professora da PUC-Rio, fez o relato de uma pesquisa em torno da presença das classes menos favorecidas (negros, pobres, etc.) na Universidade, mencionou a construção de um novo ator social - o estudante de baixa renda que enfrenta inúmeros desafios na busca pelo alcance de seus objetivos, e a construção de redes de solidariedade pelos programas de pré-vestibulares comunitários. A professora nos contou também que há muitas formas sutis de exclusão dentro da Universidade (algumas vezes, por parte dos próprios professores) e isso acarreta, entre outras conseqüências, na construção das fronteiras simbólicas, onde certos alunos (geralmente, os menos favorecidos) se sentem melhor em determinados ambientes do que em outros e, na verdade, todo o espaço acadêmico deve ser de e para todos.
A professora da UFMG, Nilma Lino Gomes, pós-Doutora em antropologia urbana, encerrou as discussões, no dia 28, em altíssimo nível de fluência e qualidade, debatendo o segmento negro da população e a diversidade étnico-social, além de apresentar uma coletânea da produção crítica dos negros no Brasil e apontar os grupos de intelectuais negros.
É importante ressaltar que Cultura não é só arte: são valores, posturas, hábitos, lugares, conhecimentos, técnicas, identidades comuns e diversas, conceitos, saberes e fazeres múltiplos. Cultura é a representação máxima de um povo baseada na diversidade, que é a construção histórica, social e política das diferenças.
A diversidade não é (e nem pode ser) apenas um tema de discussão em mesas de debate, ela se concretiza em corpos, na história e na vida social das pessoas. Portanto, diante de uma discussão tão rica como esta, cabe a nós cuidar para que o debate da Diversidade Cultural não se torne um mito e que os seus resultados possam nos chamar cada vez mais a atenção para esta realidade. O desafio é o que nos move a refletir o conceito de cidadania, e enquanto cidadão, devemos priorizar e reivindicar sempre o nosso direito à igualdade social.
Não se podem tolerar as diferenças, tem-se que reconhecê-las e não custa lembrar que a razão básica do preconceito é a ignorância.
____________________________________________

* Texto escrito por Hugo Lima em 29 de maio de 2007, extraído do "Seminário Diversidade Cultural - Educação, Desenvolvimento Humano e Desdobramentos".
.

Quinta-feira, Maio 17, 2007

EXPLOSÕES/ ISCAS/ SEXTAS-FEIRAS 13/ ALUSÕES REPENTISTAS/ E O CACETE...

(ou autodefinição por um padrão repentista)


Esmiuçando
Esfiapando
E despedaçando
Desmorono-me e revelo-me em nuances
No prisma de meus eus e ais.
Assim sem mais,
Me traduzo ao pé da letra,
Ou tento:
Fragmento sem encaixe
De poema sem saída.
Cafarnaum de partes e pestes
E portos e places,
Sem cais e cordas,
Com caos.
Editor de rasuras, em explosões repentistas.
Foguetório/Crematório das neuroses,
Psicoses e metempsicoses.
Escarcéu de cores, cóleras, taras, crimes,
Desvãos prateados
Engalanados de noturnas insônias, infâmias, insânias
E blasfêmias.
Limo cor de musgo.
Céu cor de gelo.

Vou abrindo e fechando
Fechando e abrindo
Minha caixa de Pandora.
Sou sócio, carteira assinada e livro de ponto,
Do clube onde poesia e fogo se entremeiam.
Componho partituras em sílabas,
Fundindo escrito e oral
Na marra, no pau
À beira de um troço.

Mas eis que fico tonto,
Escuto vozes,
Misturo-me às alucinações
Feito simbiose.

Sigo,
E não traduzo
As algaravias ruminadas
Das vias esburacadas
De minha carcaça estofada
De tudo o que abrange
A palavra enigma:
Apraxia.
Sou senhor de mim mesmo
Até onde olhos vêem.
Descendo das elegias, das odes, das palinódias,
Das paródias, das glosas, dos sonetos,
Dos tercetos e sextetos, cianuretos,
da poesia incrustada feito fruta cristalizada
no pão doce.
Da expressão chama+abc,
Do canhão lançador de sincretismos ilusionismos e paradigmas
À fortaleza inimiga.
Da porralouquice
Em freadas bruscas.
Da iconoclastia, da iconolatria,
Da magia negra.
Das macumbas, das quizumbas, catacumbas.
Do moderno, do inverso, do inverno,
Da “boca do inferno”
Eis Gregório incorporado.
Do Santo do Pau Oco,
Do espírito de porco.
Da relva, do lodo,
Da selva, da maluquice dos manicômios dos malucos.
Da venda dos olhos,
Da fenda das falhas,
Das fagulhas.
Das imperfuráveis madeiras brutas,
Parceiras e sócias majoritárias
Do clube de minhas sextas-feiras
Treze.
Da matéria, da antimatéria,
Da arte que pulsa na artéria.
Dos desabafos fantásticos do Sairlomoon:
O ourives.
Do simples ato de escrever
Para anuviar os excessos
Para despistas os ardis
Para decifrar os enigmas
E apagar o incêndio
Que de tão abastado
Reduz a escrita a um mero pano molhado...

.

Domingo, Maio 06, 2007

O POETA


...

CARTAS EXTRAVIADAS - PARTE 1

Em carta a João Cabral de Melo Neto, datada de 17 de janeiro de 1942, Drummond escreveu, a propósito da inclusão de um poema de Cabral em uma coletânea a ser publicada:
.
"Sou da opinião que tudo deve ser publicado, uma vez que foi escrito. Escrever para si mesmo é narcisismo, ou medo disfarçado em timidez. Sem dúvida todo sujeito honesto escreve por necessidade, mas nessa necessidade está latente a idéia de comunicação. Os outros é que gostem ou não gostem. A reação do público evidentemente interessa, mas não deve impressionar muito o autor. Daqui a 20, 30 anos, que ficará de nossos atuais pontos de vista e juízos críticos? As obras terão que ser examinadas de novo. E então haverá uma importância maior no julgamento, ao qual, provavelmente, não estaremos presentes. Como v. vê, eu acho que se deve publicar tudo, menos pelo valor da experiência do que pela operação de extravasamento da personalidade, de outro modo cativa, e pela tomada de contato com o mundo exterior, que é fértil em sugestões e excitações para o autor. [...] Se lhe desagradar a opinião dos jornais e revistas, não publique para eles, publique para o povo. Mas o povo não lê poesia... Quem disse? Não dão ao povo poesia. Ele, por sua vez, ignora os poetas. [...] Não devemos desanimar com isso. Desde que estejamos vivos, as experiências se realizarão dentro e fora de nós, e haverá possibilidade de progredirmos na aventura poética. O essencial mesmo é viver e acreditar na força admirável da vida, que é nosso alimento e nosso material de trabalho."


***
Em carta de Hugo Lima, destinada à mim, Nelson, datada de 28 de outubro de 2006, o poeta escreve:
.
"Tomei as palavras de Drummond como se fossem para mim. Por isso publico, nos meus blogs, todo e qualquer pensamento, toda e qualquer manifestação interior que parta de mim. Confesso, sou narciso, mas tenho uma honestidade poética que me força, quase que esporadicamente, a me submeter ao extravasamento da minha personalidade que, como sabe, não é uma ou outra, são várias [...] Sou a favor da poesia, sempre. E acredito piamente nas idéias de Drummond. Estou de acordo com elas. "Não dão ao povo poesia. Ele, por sua vez, ignora os poetas" Não quero que meus poemas comuniquem ou façam algum sentido, não escrevo pra explicar. Expresso, apenas. Sou da idéia de que a poesia é um fazer que si basta a si mesmo, que pode sim servir ao homem, mas apenas na medida em que, capturando os padrões de sensibilidade de cada época, seja capaz de manter viva no homem, exatamente a própria poesia enquanto modalidade específica do fazer humano."
.
.
OBS: Quero com este post (tratando, a meu ver, de um assunto de magna importância e discutido de forma tão delicada) marcar a nova direção da CASA que a partir de hoje, será organizada por mim, Nelson Nobu, http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15221847701048755955, sob recomendações do poeta, aqui homenageado, Hugo Lima.

Sábado, Fevereiro 17, 2007

AS CINZAS


PATUÁS




- ela reza aos santos que a rezam...
.

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

RESSACA


das doze sementes de uva
das três ondas puladas
das setes rosas brancas lançadas
das nove velas acesas
dos cinco incensos de nardo
dos onze nós desatados
dos três peixes comidos
das oito fitas amarradas
dos quatro pulinhos na areia
dos seis pedidos ao santo
das duas taças quebradas
das treze champagnes estouradas
das promessas e oferendas
de toda a elegância esbanjada
das incontáveis fotos tiradas
da pirotesca queima de fogos
das moquecas, bobós e do vinho
de toda a festa celebrada
restou a insatisfação da natureza
que o mar devolveu.

ALMEJO

para 2007...




+ amor + saúde + paz-de-espírito + bem-estar + dinheiro + alegrias + sucesso + inspiração + bons restaurantes + paciência + livros + tranqüilidade + jazz + respeito + educação + força-de-vontade + justiça - violência + sabedoria + inteligência + informação + bons cafés + samba - preconceitos + arte + união + poesia + conforto + amigos + poemas + igualdade + bossa nova + sorrisos + compreensão + solidariedade - fome + literatura + lounge + viagens + cultura + realizações + dança + teatro + ascenções + sol + cartas + criatividade + imaginação + estudantes + paisagens + fé + champagne - pressa + dinamismo + interação + bençãos - discriminações + doações + paixões + bons filmes + cores + músicas + fotos + reflexões + perdões + participação + inclusão social - inveja + documetários + orquídeas + amantes + amendoeiras + janelas - falsidade + romantismo + prazeres + bons vinhos - stress + house music - conformismo + liberdade de escolha + liberdade de expressão + opiniões + segurança + compromisso - descaso + djs + tolerância - arrogância + comunicação + diálogo - pessimismo + moda - depressão - problemas + soluções + esperança + grandes acontecimentos - mortes acidentais + oportunidades + leveza - absurdos + ousadia - egoísmo + gentileza - brigas + manhãs de domingo + feriados prolongados + sonhos + prosperidades + possibilidades + 2007 maneiras de fazer deste ano o primeiro dos melhores anos de nossas vidas!
.

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

UTÓPICO RETÓRICA (STICK POEM PART 1)


.do exterior.
.lado de fora.
.out.
.mostra.
.exposto.
.exibição.
.externo.
.aparência.
.superfície.
.aspecto.
.visível.
.público.
uma parte remota romonta os extremos
> lados opostos <
TRAVELINGS
allons z'enfants...
{ Imagem e poema: Hugo Lima }
.

UMA IDÉIA PRA NÃO SER...


[;] talvez esteja óbvio, talvez esteja oculto...
basta saber ler nas entrelinhas.
____________________________
____________________________

DELA

violetas na janela
e sofás de veludo,
cozinha azulejada
e gesso no teto,
dois quadros na sala
e samambaias no banheiro.

poemas grafitados
nas paredes do quarto e
uma placa escrita
com baton vermelho na porta:


"do No t disturb."

Terça-feira, Novembro 28, 2006

O VISIONÁRIO

da série: "Remix: Século XXI"


à memória de Murilo Mendes.


Sou o filho do século,
Da restauração da poesia em Cristo.
Sou o visionário
No mundo enigma da poesia liberdade.
Sou a múltipla facedo Ser ou não Ser? Eis a invenção.
Sou o profeta do múltiplo
O que é não é
Enquanto tudo a minha volta é anunciação.
Percorro tempo e eternidade
Num mundo aparentemente abandonado por Deus.
Mas sobrevivo sempre
Porque o tempo sobrepõe-se à idéia do eterno.
Se é preciso morrer de tristeza e nojo,
Morro porque amo, por solidariedade.
Sou ligado pela herança do espírito e do sangue,
Do santo do demônio, do anjo e do mendigo,
do deus e do poeta, do que caminha sobre as ondas...
Que construidos a minha imagem e semelhança,
Morrem pela angústia do Murilo.
.

AUTOPSIA

>> para vera casa nova...

idiocoma - eletrosincronizaçãopoética
patética poesia
cartas e farpas
alienação do caos
caóticos extremos
extrema-unção dos pecados silábicos
histérico--psia
metalformadeversos
versoloscopia aguda
agudez de espírito
espiritualização do tema
temática litúrgica
liturgia circunflexa
circunferência.
elementos do tópico
suplementos utópicos
tematização abstrata
abstração dos versos
ridicularização do movimento
movimento d'eviantar
espaços-fragmentos
celulose de tinta
papel aos maços
cigarros e seringas
bisturís videofônicos
para a extração do látex
látex alcoólico
alcolismo alucinógeno
-- razão deste poema --
causa conseqüência
auto-re[in]verso


.

AMORES



de segunda à quinta, amo os papéis
às sextas, amo os copos
aos sábados, amo cinema
mas, só aos domingos consumo o amor.

---


Segunda-feira, Novembro 20, 2006

DILEMA

e por outras razões que podem parecer um pouco mais esclarecidas...




.

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

→ POR UM MOTIVO OU UMA RAZÃO...

por um motivo ou uma razão não tão esclarecida...



tec tec...
tec tec terec tec...
tec terec tec tec tec terec tec tec tec...
crash... plim!
[.............................................]


.


Domingo, Novembro 12, 2006

...E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

da série "Nus, Florais e Pingue-Pongue"
.
casamento. lua-de-mel. concepção. gravidez. cuidados. gestação. decoração. obstetrícia. parto. papai. mamãe. bebê. família. fraldas. vacinas. pediatria. truques&dicas. informação. batizado. dentição. primeiros passos. berçários. creches. escola. educação. alimentação. fonoaudiologia. traumas. psicologia infantil. alopatia. homeopatia. curas. palavrões. religião. esportes. lazer. férias. adolescência. moda. ginecologia. ciência. tecnologia. genética. formatura. festas. namoro. independência. sexo. diálogo. riscos. depoimentos. filho-problema. drogas. doenças venéreas. preservativos. anticoncepcionais. gravidez. erros&acertos. filhos. avós. vasectomia. laqueadura. serviço. entrevista. emprego. babá. faculdade. direitos. eleições. impostos. crises. separações. divórcios. terapia. análise. reclamações. queixas. desemprego. frustração. aposentadoria. velhice. maus tratos. morte... será que evoluímos?
.
*Crônica de Hugo Lima publicada no site da i-d como ilustração da crônica moderna.

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

→ 50º POESIA CONCRETA - part 3

conclusão...




Poema: feli[c]idade, de Hugo Lima.
..............................................
.

Domingo, Novembro 05, 2006

→ 50º POESIA CONCRETA - part 2

aos precursores do concretismo...



friedrich achleitner / alain arias-misson / h.c. artmann / stephanbann / max bense / edgard braga / claus bremer / henri chopin / carl friedrich claus / bob cobbing / reinhard döll / torsten ekbon / öyvind fahlström / carl fernbach / ian hamiltonfinlay / larry freifeld / john furnival / heinz gappmayr / pierre garnier / mathias goetitz / ludwig gosewitz / bohumila grogerova / josef hirsal / josé lino grunewald / brion gysin / al hansen / vaclav havel / helmut heissenbüttel / dom sylvester houedard / ernst jandl / bengt emil johnson / ronald johnson / hiro kamimura / kitasono katue / jiri kolar / ferdinad kriwet / frans van der linde / arrigo lora-totino / jackson mac low / hansjorj mayer/ franz mon / edwin morgan / maurizio nannicci / hans-jorgennilsen / seiichi niikuni / ladslav novak / yusef pazarkaya / luiz angelo pinto / carl friedrik reutersward / diter rat / gerhard rühm / aram soroyan / john sharkey / edward lucie smitch / mary ellen salt / adriano spatola / daniel spoerri / vagn steen / andré thomkins / enriqueuribe valdivielso / paul de vree / emmetwilliam / pedro xisto / tasuo fujitomi / marcelo dollabela / martin salomon / herblubalin / r.meyer / h.troxler / raymon gid / yvette vibert / lindsley daibert / alain roger / marcello diotallevi / reinhold koehler / felipe boso / jacques roubaud / bernardo schiavetta / jean dupuy / langdon wenoab / jérôme peignot / tom ockerse / marcel jacno / jean-fronçois bory / guy de cointet / grapus / jochen gerz / paul rand / gene federico / claude melin / alan ridell / john crombie / rémy peignot ...........................................................................................
......................................................................................................
......................................................................................................


... os meus parabéns pelo 50º.


P.S. Interessante :: www.concretismo.zip.net
.

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

→ 50º POESIA CONCRETA - part 1

em comemoração ao 50º poesia concreta...




quem será que está por trás de tudo isso?
[....................................................]

.





Segunda-feira, Outubro 30, 2006

ENTRE O SER E AS COISAS

baseado no poema XVI, de Hilda Hilst. extraído do livro “balada de alzira”.
“onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva”
(carlos drummond de andrade)

escrevo triste no meu canto. só – como sempre estive. só – como sempre estou. descubro as paredes se movendo. elas dançam diante dos meus olhos. guardam meu segredos e são fieis ao meu silêncio. amanheço em sua brancura amarelada refletida pelos raios de um sol que eu nunca vi. eu não mereço ser Deus para iluminar. tenho hábitos noturnos e sou adepto da escuridão. tenho black-outs internos [...] penso nas coisas e percebo que elas não existem. “o que vemos das coisas são as coisas”, mas o que existe é uma idéia melancólica e suave que fazemos delas. uma idéia abstrata e móvel das coisas fixas. a minha mesa de escrever é feita de amor e de submissão. no entanto, ninguém a vê como eu a vejo. para os homens, é feita de madeira e coberta de tinta. para mim também, mas a madeira somente lhe protege o interior e o interior é humano. há um gesto de cumplicidade entre o ser e as coisas. um elo que os envolve. um afeto incomensurável capaz de transcender tempo e espaço e perfazer-se num valor sentimental inimaginável. os livros são criaturas. cada página um ano de vida, cada leitura um pouco de alegria e esta alegria é igual ao consolo dos poetas quando permanecemos inquietos em resposta às suas inquietudes. estas linhas guardam a minha indagação. o café excita a consciência irracional, o lumière ilumina as palavras e os dicionários dão sentido ao que envolve o ser humano. há passagens do tempo que os relógios não contam... é nesta solidão que me dispo diante dos versos que espelham o meu corpo, a minha vida, a minha dor. ando indagando às minhas dúvidas se, submerso, compreenderei o sentido das coisas. e o que tenho como resposta é a cumplicidade das paredes. faço amor com minha máquina de escrever. acaricio seus seios alfabéticos enquanto ela me devolve ininterruptos argumentos sobre o que se passa nos meus pensamentos. há um elo entre nós, um laço de afetos. deixo-me estar neste eterno envolvimento. aqui reconheço minhas digitais em todos os cantos, esses cantos que me abrigam só. escrevo triste no meu quarto e então percebo que as coisas não existem. a idéia, sim. a idéia é infinita igual ao sonho das crianças.
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(Intertextos: Hilda Hilst/Fernando Pessoa)
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Segunda-feira, Outubro 23, 2006

ALGUÉM SE ATREVE?


lésbicas de patins. submissos, pedófilos, sádicos e afins. menininhas perigosas, necrófilos, ninfetas pervertidas e dias nublados. mulheres gordas, homens sedentos, vitrines quebradas e esqueletos. adolescentes andróginos, ruas estreitas, velhos tatuados e galerias desertas. alguém se atreve?
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SLASH FICTION


unresolved sexual tention:
bondage and domination
sadism or masochism
non-consensual
drinking-bout or monogamy
hurt / confort
("plot, what plot?")
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ESSENCIAIS

Para os amigos.



Para a metamorfose: lagartas e borboletas
Para fugir da representação fixa da realidade: camaleões e seus disfarces
Para impelir os seres e as coisas: movimento das águas e dos ventos
Para a revolução: vendavais, terremotos, ciclones e tempestades
Para a criação: germes, sementes, brotos e mudas
Para a renovação: coração, faíscas e fogo.

*Inspirado em Radovan Ivsic, nas palavras de Eclair Antônio Almeida Filho.

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Domingo, Outubro 22, 2006

FACETOGRAFIA EM POLKA DOTS


decomponho-me em papeis de parede
e recomponho a forma
em vitrais e lustres.
sou romântico e erótico
e me estendo ao nouvè.
fui fragilmente reconstruído em mosaicos
com meus sentimentos aos pedaços
e o coração na mão.
sou um artista, um poeta,
uma revolução incessante
num melodramático clichê.
sou feminista, machista, nascisista
entre o ser e o não-sense.
não faço sentidos,
deixo-os por fazer...
sou apenas prlífico
revelando por partes
o que é TODO em mim.
a febre é só um estado de SER
entre Francesca Woodman
e minha facetografia.
(dois (es)passos numa dança)
desappearing act:
woodman's space 2 series; from
Polka Dots.

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A CODE O CÓDIGO



um poema visual
......................
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C'EST LA FAUTE À SARTRE

da série: "Remix: Século XXI"


li Sartre sem saber.
submergido no diário de uma guerra estranha
observando a filosofia dos espaços
que deliberam-se entre o ser e o nada.
reconstruindo essa imagem lúbrica
que se distorce a cada instante
enquanto a palavra-metamorfose filosofa
tentando ser a pedra (episcopal, talvez!)
esfacelei-me numa frase estapafúrdia
que, inquietante, diluía os meus sensatos
pensamentos que vagueiam entre a poesia
e a face ultiforme do meu ser em transição.
nada me consola, tudo me abstrai.
busco atordoado no dicionário das idéias recebidas
a imagem do homem de letras prolífico:
o romancista, o dramaturgo, o poeta,
o panfletário, o filósofo pós-cartesiano...
e só sei que nada sei. Me perdi de vez!...
nada me reflete, tudo me confunde.
a minha obra é tão pequena diante do meu corpo!
nada exala a minha essência, tudo exibe a minha dor
nenhuma palavra traz de volta a imagem concreta
do ser que sempre/nunca fui...
perdido na loucura (in)existente
nada me resta, tudo me apavora.
fecho as aspas e permaneço na leitura...
a náuse
as moscas
o muro
o ser e o nada
c'est la faute à Sartre (?)
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CRENÇAS, CREDOS E... RELIGIÃO NÃO SE DISCUTE!

da série: "Nus, Florais e Pingue-Pongue"


Ana revê os conceitos envelhecidos dentro de si, enquanto Clara corre à livraria e se perde em meio a tantos livros esotéricos. Lúcio faz uma investida parabólica pata travar contatos imediatos com o olho gordo, enquanto Amadeu conclui que o ser humano é uma espécie de pára-raios. Olívia acredita que cada um de nós funciona como imãs atraindo forças positivas e negativas, enquanto Marta só quer saber de missa, novena e confissão. Estela diz que quer chegar às divisões moleculares das coisas para atingir a origem do universo, enquanto Márcia busca uma explicação científica para o olhar. Lúcio agora ignora qualquer tipo de amuleto, pedra ou talismã contra mau-olhado só porque a namorada resolveu estudar parapsicologia. Sílvia decidiu se render ao Axé Ilê Obá desde que fora atingida cruelmente por aquele terrível olhar-de-secar-pimenta. Lizete afirmava que mau-olhado pode destruir relações afetivas, desfazer casamentos, levar a pessoa à penúria e até a morte, mas agora acredita piamente que só Deus possui poderes para isso. Helena acende incenso, ergue o patuá, reza e junta a roupa velha, enquanto Elza, Arminda e Eulália se preparam para tomar um banho de arruda e sal grosso. Anita garante que sabe o segredo para reverter o mau-olhado em bom, mas Mônica nem acredita mais nesse ritual de reversão. Hugo resolveu meditar e seguir o Bhagavad-Gita e sua mãe até admira essa independência espiritual. Marco cismou de que agora é ateu, mas vive dando graças a Deus! Eugênia agora é espírita e Cezar, seu marido, quer se separar porque acredita que espiritismo só atrai o azar. Vera insiste de que é católica apostólica romana, mas Eneida jura de pés juntos que a viu entrar numa igreja evangélica. Carlos agora pertence ao candomblé, Luíza à umbanda e Vinícius está encantado com o zen budista. Larissa diz que vai ser agnóstica quando crescer e Bruno, seu irmão, não quer mais saber dessas coisas de religião. Érika costuma dizer que a yoga vai conduzi-la ao nível máximo de iluminação e eu... Bom, eu acho que somos todos budas em potencial!
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Sexta-feira, Outubro 20, 2006

SOU CLARICE

da série "Remix: Século XXI"


Homenagem à Clarice Lispector dedicada à Vera Casa Nova.


sou Clarice enquanto houver em mim
uma legião estrangeira capaz
de unificar o meu complexo vínculo de estranheza natural
e o subconsciente da minha inteira tradução.

sou Clarice enquanto houver medo nas entranhas,
enquanto houver pânico nas esquinas,
enquanto tudo fizer sentido
e eu estiver à margem.

sou Clarice enquanto houver um átimo de felicidade clandestina
que possa restaurar o meu estado de ser, estar, permanecer...
porque não sou. Não estou. Não permaneço.
eu apenas vivo entre o eu e o não-eu do pensamento.

sou Clarice, a mulher incontida
e serei enquanto Macabéa existir.
- Maca - o quê?
sinônimo de ternura e inocência.
(*nonsense da vida fora da introspecção narrada).

sou Clarice, perdida na cidade sitiada.
eu estou nas entrelinhas. eu coso para dentro.
eu me abro em fragmentos.
sou uma artéria dilatada.

sou Clarice.
eu sempre serei.

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OVERNIGHT

(roteiro completo para uma noite de insônia)


treze ensaios de nietzsche
onze artigos de freud
uma entrevista de godard
nove galerias de man ray
quatro romances de dostoiévski
sete poesias de hilda hilst
dezoito sonetos de cummings
as correspondências completas de ana cristina césar
o essencial de caio fernando abreu
as cartas extraviadas e outros poemas de martha medeiros
cinco filmes com pola negri
doze suítes de rimski-korsakóv
oito telas de frida kahlo
seis textos de guimarães rosa
duas teses sobre saramago
quinze cadernos de sartre
três cores de almodóvar
as obras completas de mário de sá-carneiro
os exercícios de levitação de ledusha spinardi
dezesseis crônicas de drummond
uma autopsicografia e os desassossegos de fernando pessoa
dezenove contos de joyce
vinte poemas de amor
e uma canção desesperada.

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LIDA DOR



ando enlouquecido com tudo o que diz respeito a minha dor.
ando entorpecido...
minha dor estarrecida
minha lida, lida dor
dor lida...
meus sentimentos d’alma...
como se a minha própria alma
fosse também a minha dor.
ando distraído,
falando sozinho, me guardando em segredos,
suportando meus pesos.
minha loucura exposta
na eloqüência dos meus versos.
a cada rima um tiro certo contra o peito.
a poesia corrompendo o ego
cada espaço deformando o corpo
e as palavras...
incaláveis palavras remoendo as superfícies.

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TRÂNSITO

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pessoas que vêm de dentro
pessoas que vêm de fora
pessoas que me atravessam
[..................................]
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O MUNDO QUE EU VI

para Laura Capriglione




esta é Santos como você nunca viu
do lado de dentro do balneário
praias lotadas
jardins monumentais
turistas barulhentos
café paulista
jardim de orla

maior do mundo
num salto de paraglider
do alto do Morro do José Menino
cafeterias italianas
e um lírico milk-shake de café
casarões azulejados
superfeijoada paulista
cidade quieta
antiga.

todo mundo tem um pouco de São Paulo.
todo mundo tem um jeito de ser Santos!

deve-se chegar com a alma leve
virar-se pássaro
sentar-se e ver a vida passada passar
no calçadão, a mureta sinuosa
acompanha o traçado irregular da pérgula.
formigas gigantes para vestir de boneca
café carioca
alforria dos escravos
cassino Mont Serrat:
a jogatina dos endinheirados
santistas mascarados.
santos está em qualquer mapa do mundo
pela saudade dos que se foram
pela alegria dos que chegam
pela beleza dos que ficam.
era o fim.

todo mundo tem um pouco de São Paulo.
todo mundo tem um jeito de ser Santos!

três vidas: café, modernidade, farofa
farofeiros santistas
copacabana palace paulista
porte monumental e os lindos vitrais estão lá.
palacetes decrépitos
trens do valongo
são paulo railway
as mil e uma noites
do essencial kama sutra
fonte inesgotável de prazer.
ilusões perdidas

cristal da boêmia
o paulista é uma beleza!
o paulista tem um céu irrestrito
santos virou de costas pra si mesma!
santos virou-se de costas pro mundo!

todo mundo tem um pouco de São Paulo
todo mundo tem um jeito de ser Santos!

e é assim o mundo que eu vi.

meigos balanços infantis...
“eu fui na fonte do Itororó
beber água, não achei
achei bela morena
que no Itororó deixei...”
...
da fonte
só sobrou um cano, seco.
do Itororó
só restou a lembrança
que ficou no lirismo ingênuo
da canção infantil,
e basta!
... .. . ... ... ... .. . .
... .. . ... ... ... .. . .
... .. . ... ... ... .. . .

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PAISAGEM



no extremo arco do infinito
um labirinto
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A POESIA

a suprema forma da beleza.
criação rítmica da beleza.
pouco importa, contudo
definir o que seja poesia.
ela é indefinível
porém, definidora.
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OS IDOS

à memória de Malthus Balzác


em virtude dos belos anos sós
uma vida inteira é jogada fora.
em rumores de medo nessa sina
empobrece a emoção da vida.

enamorado da desconfiança
num cruento insaciável de lembranças,
uma lágrima brota dos olhos seus
sem saber o seu destino.

tudo se transforma e improvisa a fé.
iconoclasta da ignomínia,
vejo que não há idílio que descreva
a ideologia de uma vida a sós.

mas permanece a idiotice de meditar
os velhos e tolos ditados:
- antes só que mal acompanhado?
os idos não permanecem.
vê a realidade de hoje:
- antes um tolo apaixonado
que um largado sozinho!

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AUTO-RETRATO


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nasci transitório
entre o caos e a vaidade dos meus sentimentos.
nasci como quem encontra na vida
uma saída prodigiosa
para as inquietações dos meus pensamentos,
porque, de tanto pensar
e me submeter aos difusos preceitos,
pude compreender que a minha servidão
está na eloqüência de minhas múltiplas faces.

como não posso ser um só em todos os corpos
descobri ser todos num só corpo.

(talvez, assim, eu tenha encontrado
a definitiva razão
para o meu intenso coexistir.)
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