segunda-feira, maio 05, 2008

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

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O meu amor partiu
em cesariana
e o que restou
foi a dor
de uma saudade
prematura

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sexta-feira, maio 02, 2008

O O(LH)O

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o olho observa
o centro do
corpo:

o olho não vê,
mas observa
o olho não enxerga,
mas admira.

o olho se abre
e se fecha.
o olho descansa,
dilata a
pupila.

o olho não lê,
mas interpreta
o olho não cega,
mas revista.

o olho observa
o centro de
si mesmo

olho que se vê
[até onde vai a vista]
..........................

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terça-feira, abril 15, 2008

RESPOSTA

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De: Paula Santoro
Para: Hugo Lima
Assunto: Obrigada



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quinta-feira, abril 10, 2008

PRIMEIRO-ENCONTRO (I)

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Para M.F.O,
em 9 de abril de 2008.


“Sem calma, sem ar, sem chão”
te encontrar
foi o big bang!

parte de mim era o caos
outra parte
dispersão!

um silêncio, muitos risos
um história de cinco anos
um café, um cigarro
Bonno, livros, Miró...
dispersão!

sem lugar, sem espírito
sem reação alguma
que me fizesse
despertar do sonho.

face-a-face
corpo-a-corpo
dois abraços
meus deslizes...

era Caio Fernando Abreu
era Eu, era Você
éramos “Aqueles Dois”
num deserto de almas
todas desertas
dois seres especiais
de imediato, se
(re)conhecendo.

sim, o encontro
o primeiro, o imaginado
o tão esperado!
(borboletas na barriga,
frio no estômago)
não o primeiro,
sequer, o último.

e eu, mesmo tenso,
mesmo dissipado,
garanto:
(re)encontrei nos seus olhos
a metade-perdida
de mim.

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POEMA-CANÇÃO

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Para Paula Santoro,
escrito durante o seu show realizado no Museu de Artes e Ofícios
na última terça, dia 8 de abril.



Sua voz

É a paz que ecoa

Harmoniosamente

Pelos pés direito

E esquerdo

Da Estação Central.


É sustenido de corpo

Leveza de tom

Canto que paira etéreo

Na galeria de som

Reinventando o Ofício

Da Música que toca.


Sua voz

Por si só, é a dança

Fluindo serena

Pelo tempo-espaço

Do salão principal


Desenhando no ar

Todas as notas

Que elevam a alma

Ao ápice do espírito.


É o infinito!

É a imensidão!

Sua voz é isso que pousa

Entre o jazz e o samba

Do meu poema-canção.


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segunda-feira, março 31, 2008

MUDEI DE NÃO MUDAR

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sim, eu cortei os cabelos
sim, eu cortei os próprios cabelos
sim, eu mesmo cortei os meus próprios cabelos
sim, eu mudei
sim, eu mesmo mudei
de mim.

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sexta-feira, março 28, 2008

HILDA :: DE UMAS SAUDADES!

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Ah, se eu soubesse quem sou.
Se outro fosse o meu rosto.
Se minha vida-magia
Fosse a vida que seria
Vida melhor noutro rosto.

Ah, como eu queria cantar
De novo, como se nunca tivesse
De parar. Como se o sopro
Só soubesse de si mesmo
Através da tua boca

Como se a vida só entendesse
O viver
Morando no teu corpo, e a morte
Só em mim se fizesse morrer.

[HILST, Hilda]

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domingo, março 23, 2008

INSTRUÇÕES PARA PINTURAS (FRAGMENTOS)

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pintura para ver os céus


fure dois buracos em uma tela.
pendure-a onde você possa ver o céu.

(troque-a de lugar.
experimente tanto a janela da frente como a de trás,
para ver se os céus são diferentes.).

pintura para o vento

corte um buraco em uma sacola cheia de sementes de qualquer tipo
e coloque a sacola onde haja vento.

pintura para enterro

em uma noite de lua cheia, coloque uma tela em um jardim
de 1h00 da tarde até a madrugada.
quando a tela estiver totalmente tingida de rosa
pela luz da manhã, desmonte-a ou dobre-a e enterre.

as formas do enterro:
1) enterre-a em um jardim e coloque um placa com um número nela.
2) venda-a ao mendigo.
3)jogue-a no lixo.

pintura de fumaça

incendeie uma tela ou qualquer pintura pronta com um cigarro
a qualquer hora por qualquer periodo de tempo.

assista o movimento da fumaça.
a pintura estará terminada quando toda a tela se consumir.

pintura para bater um prego

bata um prego em um espelho, uma tela, uma peça de vidro
ou metal a toda manhã.
pegue também um cabelo que tenha caido quando você se penteou de manhã
e amarre-o no prego.
a pintura estará terminada quando a superfície da tela
estiver coberta de pregos.

pintura do pingo d'água

deixe água gotejando.
coloque uma pedra debaixo.
a pintura estará terminada quando as gotas fizerem um furo na pedra.
você pode mudar a frequência das gotas d'água a seu gosto.
você pode usar cerveja, vinho, tinta, sangue, etc. ao invés de água.
você pode usar uma máquina de escrever, sapatos, um vestido, etc.
ao invés da pedra.

pintura a+b

corte um círculo em uma tela A.
coloque uma figura numérica, uma letra romana,
ou uma katakana na tela B em um ponto aleatório.
coloque a tela A sobre a tela B e pendure-as juntas.
a figura na tela B pode aparecer, pode aparecer parcialmente,
ou pode não aparecer.
você pode usar pinturas velhas, fotos, etc. ao invés de telas.

pintura para ser construída na sua cabeça (1)

tente transformar uma tela quadrada na sua cabeça
até que ela se torne um círculo.
escolha qualquer formato no processo
e pendure ou coloque na tela um objeto:
um cheiro, um som, ou uma cor que venha à cabeça
em associação com o formato.

pintura para ser construída na sua cabeça (2)

bata um prego no centro de uma peça de vidro.
imagine enviando os fragmentos à endereços escolhidos
aleatoriamente.
memorize os endereços e os formatos dos fragmentos
que você enviou.

retrato de maria

envie uma tela à Maria de algum país
e peça à ela que envie a tela à próxima Maria
de algum país para que ela faça o mesmo.
quando a tela estiver cheia de fotos de Marias,
ela deve ser enviada de volta ao remetente original.
o nome pode não ser Maria.
pode ser um nome fictício e, nesse caso,
a tela será enviada a diferentes países até que uma pessoa
com aquele nome seja encontrada.
o objeto a ser colado na tela não precisa ser uma foto.
pode ser uma figura numérica, um inseto, ou uma impressão digital.

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quinta-feira, março 20, 2008

(MUTE)LINGÜISMO

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ich spreche kein Deutsch
je kan ikke tale dansk
no hablo español
en puhu suomea
je ne parle pas français
ik spreek geen Nederlands
nen besélek magydrul
i can't speak english
non parlo italiano
jeg sneakker ikke norsk
nie mówie po polsku
jag talar inte suenska
nem lurin ce sky

alguém aqui fala português?

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terça-feira, março 18, 2008

MIRÓ REVISITADO #1

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versão : repeat / p&b : 2x2 | 6x6

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PRONOMINAIS

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Convergência de pronomes pessoais

em uma única palavra:

euvocê
vocêeu

Mistura, hibridização, contaminação recíproca
de um pelo outro: de eu por você, de você por eu
numa coisa só. Êxtase do objeto.
Síntese ideal do desejo.

Instrumento de negociação para ações
de uma alteridade incorporada, em fuga.

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LOCOMOTIVE


[LIMA, Hugo]

sexta-feira, março 14, 2008

DA MINHA COR, DO MEU GESTO

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d a m i n h a i m e n s i d ã o


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quarta-feira, janeiro 09, 2008

POR ONDE ANDARÁ DORA GRAY? - Part 1

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Pelos poemas que li
Pelos livros que queimei
Pelos signos tatuados pelo corpo

Pelos filmes que não vi
Pelos discos que arranhei
Pelas minhas mãos, pelos meus pés, pelo meu rosto

Pelos reflexos no espelho
Pelas saídas de ar
Pelos buracos nas paredes do quarto

Pelas cartas que escrevi
Pelos objetos que encontrei
Pelas verdades que decidi não contar

Pelas janelas que abri
Pelas plantas que reguei
Pelas Orquídeas, Hortências, Sempre-Vivas

Pelas casas que demoli
Pelos pulsos que cortei
Pelos bilhetes que agora estão rasgados

Pelas promessas que não fiz
Pelas vezes que voltei
Pelas madrugadas que saí sem avisar

Pela família que eu não quis
Pelos amigos que matei
Pelos segredos que achei melhor não confessar

Pelas coisas que ouvi
Pelas marcas que deixei
Por tudo o que eu sei e está guardado

Pelas saudades que senti
Pelos gritos que abafei
Pelo tormento que sempre me leva a perguntar

[d-e-s-e-s-p-e-r-a-d-a-m-e-n-t-e]:
- Por onde andará Dora Gray?

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POR FRED FURTADO

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É sana a casa de poeta que abre livro e chama pena de poetas para bailar lancinante dentro das almas que visitam a casa. Entre aspas eu entrei assinando minhas letras pelas palavras escolhidas, colhidas a dedos, regadas a punho, carimbadas a dígito. Um brinde de cafés. Degustação de cappuccinos. Apreciação de conhaques. Fumaça de cachimbos. Tudo faz bem a essa alma agradecida, embevecida de ternura por poder aqui se deitar literalmente, escorrer-se em cachoeira apalavrada. Aqui eu rascunho um deleite único: poetizar o cotidiano.
Texto de Frederico Furtado postado na extinta Casa [In]Sana.

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quinta-feira, janeiro 03, 2008

'CAUSE I'M ON VACATION!

"porque eu estou de férias!"



AUTO-PSIA!

sofro de cAtaRse crônica!

[SEGREDO]

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"Para quê(m)
era o poema?"
era o ponto.

Fenda
de laços azuis.

entre o céu
e o mar
era o vasto.

brando espaço
entre nós.

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SONHO DE ARTISTA...

Quando crescer quero ser Jonas Rocha!...

domingo, dezembro 30, 2007

2oo8!


OBRIGADO!

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"Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!"
(Carlos Drummond de Andrade)

Agradeço à todos aqueles que contribuiram o bastante para que eu pudesse perceber, mais uma vez, os valores essenciais da vida.
Obrigado pelas mãos estendidas, pelos aplausos e pelos sorrisos doados.
Espero, no próximo ano, retribui-los com o mesmo carinho, a mesma leveza e as mesmas alegrias de sempre.

Sorte, saúde, paz, amor, música e poesia para 2oo8!

Tim Tim,
Hugo Lima.


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STARRING.

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Ele é indie, mas reconhece e assume as influências do punk, do folk, do rock, do britpop, do Lo-Fi, do hippie, do samba, do jazz, da bossa nova e até mesmo de movimentos como o tropicalismo, o cubofuturismo, o dadaísmo, o surrealismo, o minimalismo, o concretismo, a digipopart e a artbitch. Eu definiria como um kitschnightboy psicodélico um tanto quanto diabolique! Há quem diga que ele chega a ser inovador sem deixar de ser clássico, outros apostam numa pseudoloucura crônica. Entretanto, trata-se de um simples poeta pós-moderno que transita entre a alta costura underground e poesia contemporânea. É fascinado por cores, fala inglês e espanhol, adora pão-de-queijo, curte Björk, Cibelle, João Gilberto, Laika, Massive Attack e o mais vasto universo da boa música. É comum encontrá-lo pelos cafés de Belo Horizonte, movimentada cidade do oeste europeu de Minas Gerais onde vive numa enorme casa pintada de amarelo. É zen-hindu, medita, gosta de incenso e prefere alimentos secos, integrais e desidratados. Não dispensa boas taças de champagne, mas está muito bem servido com chás de morango ou sucos naturais. Sobre moda, arte que pesquisa intensamente desde os 13 anos, diz que sua inspiração vem do pside, do cyber, do punk, do folk, do clown e do conceito de estilistas como Reinaldo Lourenço, Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura, Viktor & Rolf, McQueen, Donna Karan, Victor Charlier, João Pimenta, Paulo Carvas, entre outros. Seu visual é essencialmente psidepunk, um pouco esquisito, mas altamente sofisticado, com muito movimento, descontração, buttons e acessórios coloridos. “Sei que sou extravagante e não me importo em parecer blasé. Moda é se sentir bem, não viver de grife!” – esclarece. É ascético, divertidíssimo, tem bom senso, não abre mão de boa educação e está entre os mais elegantes que eu conheço, sempre esbanjando sensualidade e simpatia. Causar emoção, reorganizar as coisas, traduzir o intraduzível, fotografar o instante, registrar o inexistente, dar cores à rotina acizentada do cotidiano são algumas das tarefas diárias deste poeta que, apesar de possuir uma escrita muito delicada e pontuada pelo abstracionismo filosófico, garante que sua poesia não quer responder, mas sim, indagar ainda mais o caminhante apressado que se perde pela multidão da cidade grande. Seus versos acontecem o tempo todo, do lado de dentro ou de fora da gente. Estudante de Letras, pretende se especializar em poéticas contemporâneas. É viciado em livros, desenha, rabisca, fotografa, inventa, decora, colore, recorta, recicla, canta e faz música moderna brasileira. É dono de uma das vozes mais etéreas que já ouvi, já cantou acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Palácio das Artes e, em 2003, colaborou na organização de duas exposições minhas em parceria com o crítico de arte e também poeta, Erthal Terra. Atualmente, publica seus trabalhos na Casa Sana e escreve para os sites da poeta, atriz e estilista, Larissa Mighin, e do publicitário Igor Amin. Para 2oo8, pretende dar continuidade aos estudos, ampliar a Casa Sana e criar projetos artísticos.

Por Gustavo Malheiros. 1º novembro de 2oo07. Londres, Inglaterra.

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segunda-feira, dezembro 24, 2007

DE NATAL

_
Merry
Merry
Merry
Christmas
From
Myself
_

terça-feira, dezembro 18, 2007

GESTALT

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Aos poucos vou-me
fazendo parte de um todo.
Vou-me partindo
quebradiço que sou
para que, pelas metades,
possa me constituir por inteiro.

Aos poucos vou-me
repartindo
distribuindo-me aos pedaços
desmembrando parte por parte
para que, em fragmentos,
possa insinuar completude.

Aos poucos vou-me
desfazendo
cortando meus dobrados
destroçando minha carne
para que, em partes,
eu disfarce
e minha nudez
e a minha loucura.

Aos poucos vou-me
pouco a pouco,
parte a parte,
ponto a ponto...

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O INCESTO AUTOFÁGICO - Part. 1

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se esgota numa gota
sobre mim
vaidades
que de me olhar
me abstenho
como que se desejasse
a mim mesmo
uma parte do meu corpo

e se pouco declamo
era o dito
uma palavra que se entranha na boca.
bom senso
sem teor algum
e penso:

talvez fosse melhor não pensar
no desejo
é tudo aquilo que arde na boca
a minha vontade (de não provocar)
o incesto.

primeiro, corto a lingua e observo:
sou o mínimo das virtudes do desejo
ALMA - ou outra forma de corpo.

para deglutir os restos
basta um pouco da dura promessa
de um vício tempestuoso.

- AAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!

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quarta-feira, dezembro 12, 2007

RESOLUÇÃO¹

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o afeto é a arte de se envolver
com a alma.
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OFÍCIO

escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo
escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo escrevo

ADDRESS


segunda-feira, outubro 22, 2007

TRECHO

escrevo desde pequeno. escrevo compulsivamente. preferencialmente à noite, com a ajuda de um colírio "Lirim" para enxergar melhor. escrevo para sobreviver. escrevo para mim mesmo, ao léu, sobre lembranças do dia, sobre pessoas que não sei mais o nome. meu livro de cabeceira é a biografia de Paracélcius - médico suíço, alquimista que não buscava ouro, mas remédios e que morreu ao ingerir o elixir da longa juventude, tão almejado, finalmente descoberto.

COISAS ERRADAS QUE PAULO ESCREVEU

CORÍNTIOS 11:14 - A natureza vos ensina que é desonra para um homem ter cabelo comprido.

EU RESPONDO: Jesus Cristo é cabeludo!

CORÍNTIOS 14:34 - Que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas, como diz a lei. Se desejam instruir-se sobre algum ponto, perguntem aos maridos, em casa.

EU RESPONDO: Não é proibido falar!

CORÍNTIOS 11:09 - O homem não foi criado para a mulher, mas a mulher foi criada para o homem.

EU RESPONDO: A pessoa tem que ser livre!

CORÍNTIOS 11:03 - Quero que saibas que Cristo é a cabeça de todo homem e o homem é a cabeça da mulher e Deus é a cabeça de Cristo.

EU RESPONDO: Deus é a cabeça da mulher também!

segunda-feira, outubro 15, 2007

dO PoEtA


4x4

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vivo leve e amo solto
sou de tão cruas delicadezas
de tão simples palavras
gosto de inverno e de livros
de janelas abertas, bem abertas
sou daqueles que experimentam a vida
que tocam a arte com a alma da mão
sei que às vezes sou triste
(e gosto de ser melancólico)
de admirar dias nublados, espaços vazios e ruídos da chuva,
mas também gosto de azul
de orquídeas e de sol.
adoro fotografias e cheiro de mar
e um pouco de mim
é também um pouco do céu
e do silêncio noturno.
gosto daquilo que de tão simples
é de se amar: como a casa em que me visto
e a poesia que me escrevo.
gosto do mês de abril quando,
mesmo despedaçado,
traz a saudade de um velho amor.
falo pouco, mas revelo muito através dos olhos
que, apesar de castanhos, têm espessa claridade.
gosto de gente que se desprende,
de atores e atrizes,
bailarinos e poetas
e pintores e palhaços e arquitetos...
(e de gente sem limites pra encantar).
invento moda com meus badulaques e balangandãs.
gosto de cores, arco-íris e fovismo,
de objetos em acrílico, fibra, plástico, vidro e borracha.
gosto dos recicláveis!
não tenho tempo para os que pensam
que a vida passa sem que precisemos nos renovar.
não tenho tempo para os que pensam
que a vida passa sem que precisemos sair do lugar
porque eu gosto é do movimento,
(e dos ousados!)
dos corpos em transe,
da dança e do trânsito,
das voltas do mundo.
eu gosto é da música tocando no fundo,
trilhando a vida,
embalando os sonhos, cruzando caminhos.
eu gosto do encontro de dois,
do instante à sós, do desejo,
da língua entre os dedos, do vermelho,
do barulhinho bom que a gente faz no ato do amor,
da entrega de corpo e alma,
do suor do outro, do perfume, do incenso,
da meia-luz,
do sorriso após o gozo, do abraço
e do banho.
gosto do carinho natural que parte de mim para o outro
e vem do outro como doação.
(eu gosto é dos intensos!)
eu não lamento passados nem dou asas ao futuro
planos eu faço com barquinhos de papel
eu materializo o carpe diem
porque o agora é o agora e sempre.
eu não sou pessimista nem sonho demais
eu só acho que a vida simples faz muito mais sentido
sem brigas e pré-conceitos e tantos vícios mesquinhos
e acredito que ser elegante é ser natural
(não ser comercial, mas bem-estar-bem!)
porque o silêncio dói muito mais do que um tapa
e a indiferença já salvou muitas vidas.
eu gosto é de cuidar dos amigos
e conhecer gente nova e diferente
que é pra provar que há sempre um "por vir"
e um conceito novo a se ter,
romper barreiras e trocar idéias sobre o bom e o mau gosto.
eu gosto de filmes pacatos
(franceses, de preferência!)
de vidinhas bucólicas em ambientes urbanos.
gosto de curvas e antenas e paralelepípedos
elevadores e avenidas e prédios e praças
e bares e pubs e cafés e lounges e montanhas
e do belo horizonte das minhas Minas Gerais.
gosto de plantas, de árvores, de sombra, de mar, de pássaros
e dos meus pés.
eu gosto da cama e do meu quarto e dos meus discos
e cds e do computador e das paredes e da minha máquina de escrever
e das cartas que recebo e respondo com prazer
e do cigarro queimando enquanto penso nas palavras
e da inspiração que me perturba de vez em quando
e dos desejos que me tiram o sono...
gosto da manhã
(do amanhecer, exatamente)
e da tarde
e à noite eu me liberto.
eu sempre acho que um grande amor ainda vai me arrebatar
e que vamos ao cinema juntos, num domingo, e tomar sorvete
e brincar com a pipoca e dizer que foi tudo lindo antes mesmo de acabar
mas sem esse negócio de contos de fada e vida de filme.
eu me apaixono fácil e sou essencialmente romântico,
mas eu preservo a individualidade,
gosto do que é particular,
gosto de vidas entrelaçadas pelo amor
mas independentes pela razão.
eu não tomo conta, eu cuido
e não gosto dos ciumentos, mas sim, dos que me prezam.
ciúme é acúmulo de dúvida e incerteza de si mesmo.
ciúme é o mal do amor.
por isso, vivo leve e amo solto,
deixo ser e estar, deixo o tempo passar a seu tempo
sem pressa, sem medo, sem dúvidas.
tem dias que acordo com o mundo virado,
com ódio dos humanos e com pavor de mim,
tem dias que me levanto querendo ser um caramujo
e gosto que me deixem assim, recolhido,
porque é nesses dias que eu realmente me olho no espelho.
mas eu sou bem leve e azul
e gosto de sorrisos.
também sou tímido e reservado,
mas sei tocar trombeta e botar a boca no trombone
e gosto de samba,
de mãos e de pés e de olhos e de nucas
e de nervos expostos
e de estórias escritas com fatos
e termino com os versos de um poema catalão que diz:
"oh, sobretudo amo a sagradavida e o murmúrio do vento
nos galhos que se alçam em direção à luz!"


*Proclamado por Hugo Lima no Café do Palácio no dia 13 de outubro, gravado em mp3 por Nina Ruiz Wëg e taquigrafado por Nelson Nobu.

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TODA A LEVEZA DO CÉU


segunda-feira, outubro 01, 2007

AgENdA


02/10
18h30 Jardins internos do Palácio das Artes
Projeto Terças Poéticas [Entrada franca]
Poetas Evaldo Leoni, Ivana Andrés e Luciano Luppi
& Homenagem Fernando Pessoa
05/10
23h Confessionário Lounge Café
Av. Bernardo Monteiro, 1.453 - Funcinários [$10]
"Além do que se vê - Viva o Surreal!"
06/10
16h Palácio das Artes
Galeria Alberto da Veiga Guignard [Entrada franca]
Exposição "Poesia Concreta - O Projeto Verbivocovisual"
17h
Cine Humberto Mauro [$5 - $2,50(meia)]
Mostra de Cinema Indie Mundial
09/10
17h Palácio das Artes
Espaço Mari'Stella Tristão [Entrada franca]
Exposição "Ô de dentro, ô de fora" - Diversas Linguagens
19h
Espaço Mari'Stella Tristão [Entrada Franca]
Bate-papo e lançamento do catálogo
com a presença do escritor Ronaldo Guimarães
20/10
16h Cine Humberto Mauro [$5 - $2,50 (meia)]
Mostra Inéditos em BH (Filmes em 35MM)
20h
Mostra de Cinema Espanhol Atual 2007
22/10
19h Palácio das Artes
Cine Humberto Mauro [Entrada franca]
Cineclube CurtaCircuito
24/10
19h Palácio das Artes
Cine Humberto Mauro [Entrada franca]
Mostravídeo Itaú Cultural
27/10
20h Palácio das Artes
Cine Humberto Mauro [Entrada franca]
Imagem e Pensamento
28/10
18h Não divulgado
PONTO DE ENCONTRO
Café do Palácio (de 30 a 40 minutos antes de cada evento).
*Todos os eventos ocorridos no Palácio das Artes seguem as datas, os horários e os preços publicados na programação da Fundação Clóvis Salgado e podem sofrer alterações
*** E eu não me responsonsabilizo pelas mesmas.***

sábado, setembro 29, 2007

dO Poeta


.de escrever.
.

AUSÊNCIA DE MIM

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desejo estar distante
mais longe dos meus pensamentos
exilado de tudo o que me condiciona
não quero mais me corresponder com as palavras
não quero mais a mesma fuga, não quero mais a mesma dor
mas quero outra vez a mesma saída
o mesmo exílio da alma
o mesmo descanso de sempre
serão inúteis todas as outras palavras
serão inúteis todos os seus gestos
todos os meus apelos não vão me libertar
mantenho a idéia fixa de me fixar
no menor ponto de mim
e ali me guardar
concêntrico
mas não a morte, contudo
só o silêncio, só o escapar de mim
só o me guardar
só a mesma solidão
e a tristeza ao meu redor
só o mesmo quarto frio
as mesmas páginas, o mesmo vinho
e a caneta a deslizar meus sentimentos


***poema escrito em meados de 2004.

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CONSTELAÇÃOdoCÉUdaBOCA

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arqui-
pé-
lago-
de luz mascável

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ATE NU AR

.
ATE
NU
AR
ATE
NO
AR
.

terça-feira, setembro 25, 2007

POR NELSON NOBU

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CYBERPOET, LITERALMENTE FALANDO...
*Por Nelson Nobu

Hugo Lima é o mais novo integrante do site CIBEREXPRESSANDO, criado pelo publicitário Igor Amin. Além da Casa Sana, seu blog oficial, e do "O(lh)ares ao Co(r)po", onde escreve ao lado de poetas como Larissa Minghin, Roberto Leonan, Jonas Rocha, Paula Gicovate, CJ, Ricardo Siqueira, entre outros, Hugo ingressa agora num espaço reservado à expressão multimidiática onde a sua poesia interage ciberneticamente com diversos outros contextos verbivocovisuais. Em seu texto de estréia, SELF-PORTRAIT, ele faz uma reconstrução de "Auto-Retrato", uma espécie de 4x4 escrito em meados de 2006. Um verdadeiro cartão de visitas literário que marca, "em bons tons", mais um grande momento na vida de um dos mais novos autores da poesia contemporânea. Vale a pena conferir!

Leia também:

O(LH)ARES AO CO(R)PO
COMUNIDADE "O POETA"

.

segunda-feira, setembro 24, 2007

AOS TEUS

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tarde
que se põe
entre os
dedos

.

ERRÂNCIAS

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Sob um céu de lona
traço
um retrato do amor quando jovem.

Poesia. Pois é, poesia.
De Décio
ao Pignatari azul,
na contracomunicação de
vocogramas.

Entre medula e osso,
a geléia geral.

(Arrisco um risco de
Schoemberg.)

Ainda resta, no resto da tarde,
o rosto da memória.

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sexta-feira, setembro 14, 2007

dO PoEta


::: pausa pr'um café :::


photo by Hugo Lima

segunda-feira, setembro 10, 2007

A PAISAGEM

OU
OUTRA FORMA DE CORPO
OU
TRADUÇÃO DE UM SONHO EMPÍRICO

[Todas estas palavras me foram ditas num sonho]


Sou como o caracól que pousa nos olhos da planta
ou como a arquitetura da casa que é o meu corpo.

Sou como o ventre da tadre, as mãos do amanhã
os pés da noite-madrugada que persegue o meu sono.
Eu sou o silêncio ensurdecedor do desejo.

Sou o canto de um pássaro, uma phoenix de asas douradas.
Sou só mais uma porção de mar, um grão de areia,
os braços de um rio que abraça o oceano.
A textura dos meus dedos é o adeus pontilhado na sutileza dos meus gestos.

Cada vão de mim é um céu aberto, um vôo de asa-delta
pelo ar dos meus sonhos.
Um florão no meu peito
que enfeita o teto da casa de pedra-pomes.
Tenho pés-de-vento, capim dourado nos cabelos,
pedaço de brisa no olhar, que é triste, senão, azul
tão cinza como o mar vermelho.

Tenho cores na alma e estados de espírito.
Virtuoso colírio de alcançar nos meus olhos
o brilho das elétricas folhas secas
que caem aos pés do outono.

Tenho a leveza dos muitos dizeres,
o ruído das conchas, o assoprar das ondas,
o canto das sereias,
a palma da alma da mão,
o desvão do Éden, o edema de mar,
acúmulo de dias líquidos, chovoso delírio
de umedecer a terra com absinto.

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domingo, setembro 02, 2007

CARTA EXTRAVIADA

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Jaboatão dos Guararapes, Brasil - Pernambuco / Nordeste


Dia 1 de agosto do 2007

Caríssimo amigo Hugo,


Estou ritmado agora. Curtindo o beat. Sacando o groove. Indo na vibe. Sem jazz, sem folk, sem blues. Estou todo Belo Horizontado. Fragando a sensação. Hu gosto musical de Hugo Lima lima o resto do mundo agora. Estou sambando ouvindo os carros, bebendo sobre as motos, indo para a boate de ambulância (com sirenes ligadas!).

Estou todo vivendo. Em constante “não-parança”. Estou todo movido, mobilizado, lido, relido, feito traça em papel amarelado comendo o “m” da palavra. Estou te ouvindo, bailando com sua persona musical, sentindo os ritmos da sua alma. Não sou homem de detalhes (mentira) então vou sentir você na massa sonora do todo para saber quem você é (e isso talvez não seja mentira).

Estou todo abismado. Sofri uma queda em um abismo. Adentrei o vale da vida, no vão dos que estão vivendo muito, tenho me dado bem aqui.

Há sempre saudade do que já foi vivido, é bem verdade. A isso eu chamo história. História se escreve com algumas letras, portanto cartas. Cartas são diálogos costurados por monólogos, portanto atores, portanto autores. É necessária alguma direção para tudo isso, portanto comandantes do navio das vidas, portanto diretores. Para não haver sóbria e mórbida rotina é preciso alguma graça, portanto artistas, portanto brasileiros. Há que haver também algo mais que ação e reação, portanto humanos, portanto bichos homem. Há que haver um grande motivo para nos correspondermos, portanto amigos, portanto confidentes.

Te acho capaz de criar vidas, dar vida a vãos interiores genuínos ligados pelo traço da sua poesia. Você é também um rapaz abismado, Hugo, só não sei como se relaciona com os vales da vida por onde passa. Isso não importa, de fato.

Às vezes sinto você como um canal de luz que veio ao mundo trazer alguma grande mensagem. O problema é que todo bicho humano tem que carregar o tal fardo da humanidade e todas as suas necessidades. Às vezes é difícil a beça lidar com essa pequena grande variável.

Talvez seja assim com os poetas, com os artistas, com todos que trazem traços do criador. Afinal, toda criação tem um “que” de humano, toda criação tem um “que” de divino. Cabe a nós permear essa existência com busca, com alguma dúvida eterna e então aceitar o que vier.

Vamos aprender com o sertão e os pássaros. Deixemos o resto ao som do silêncio ou de alguma música. Que a vida seja uma ópera rock ou uma singela canção. Que tenha sempre um solo de clarineta. Que quando chorar, eu soe um trompete e, quando delirar, soe uma harpa.

Sou sempre próximo, Hugo, mesmo quando pareço distante. É que eu estou sempre indo, difícil é saber quando vou chegar.


Abraços fraternos,

Fred FurtadO.

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terça-feira, agosto 14, 2007

DO POETA


.Mesa de escrever.
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ME OFEREÇO

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Adoro prazeres
Sei andar de bicicleta
Giro discos de vinil
Gosto de jazz
Escrevo amores no muro
Me finjo de bobo
Bebo água da chuva
Conto estrelas
Reinvento amores
Faço das tripas coração
Invento tardes poéticas
Enfeito cartas floridas
Coleciono livros
Confeito madeleines
Me lambuzo em chantili
Guardo chaves no tempo
Desenho risadas avulsas
Bordo borboletas
Costuro poemas
Recrio paisagens
Faço yoga
Fotografo dias cinzentos
Faço promessas ao pé do ouvido
Às vezes acordo nublado
Durmo de concha
Desejo noites em claro
Lustro desejos e
Transpiro madrugadas em silêncio.

Eu me ofereço pela metade do preço.

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SOBRE NÓS

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há muitos segredos...

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terça-feira, agosto 07, 2007

...

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Visto-me com as estrofes de um poema sujo
Abotôo seus botões de versos
(e) ajeito frases e dizeres.
Calço as rimas e dou um nó.
Caminho palavras pela noite escura.

No bolso esquerdo, minha cultura posta em questão,
No céu da boca, a poesia em pânico,
Na ponta da língua, presságios do meu desejo,
Na ponta dos dedos, o sentimento do mundo,
Presos na garganta, poemas malditos, gozosos e devotos
E na palma das mãos, minhas primeiras estórias.

Com meus olhos de cão, enxergo além da vida
Uma passagem do tempo – transcendental e metafísica.
O caminho para a distância que se abre dentro da noite veloz
É apenas uma vertigem, uma transmutação do medo.

Sou um cão sem plumas, educado pela psicologia da composição.
Vivo a vida passada a limpo no eterno brilho de um retrato natural.
Perto do coração selvagem, guardo os desastres do amor, os subterrâneos da liberdade e as impurezas do branco.

Caminho perdido no meio do caminho
Como quem quer e não quer encontrar uma lição de coisas
Coisas que não sei o nome, coisas de um segredo oculto,
Coisas que não dizem nada, coisas que me dizem tudo.
Caminho em ritmo dissoluto. Só, triste, confuso...

Há uma gota de sangue em cada poema
Que escrevo com as palavras que caminho.
Abotôo meus versos como se perdesse a vida
Caminhando distraído pela noite escura.

Nas cinzas das horas, meu coração e meus passos
Sussurram aos meus ouvidos:
- Distraídos venceremos!

E aqui, a história se acaba
aqui, eis o fim de tudo
aqui, eis o fim que se foi
E me dispo.
[...]

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TRANSITISMO

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transição
transitório
transito
transmito
transmuto
transcrevo
transfiro / sentimentos
traduzo / sensações
translúcido
/ dentro do meu transsentir.
transcorro minha vida
minha lida, lida dor
dor lida
transcrita em papéis de translhetins.
De mim, saem transeuntes
transcendentes
transcendentais
transfundidos
transigentes
trasmissíveis
/ pensamento transitário
/ transmatriz.
a eloqüência / a alusão
a elucidação do meu contrário
translatário
transformação
transmaginário
trans-unção
transfusão
.......................
transitor,
transminto
transitismos
ao suportar a transição
do meu ser transitório.

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CORRESPONDÊNCIAS

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correspondências
correspondentes
correspondances
correspondences
correspondencia

cartas avulsas
avessas
avencas

alforria literária:
"cartas também são gestos poéticos."

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DELICATEZ

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"afoguei-me
mar adentro
de mim"
enquanto espero tardes de sol
você se delicia com a chuva
você faz de conta que não percebe
que a vida é um romance
e eu, no meu canto, sempre aflito
espero uma palavra, um gesto, algum sinal.
você não dorme (e eu desejo)
você não beija (e eu espero)
A gente sempre caminhando por caminhos opostos:
eu sem você - esta página em branco
você sem mim - nossa história sem enredo,
sem início, sem meio, sem fim.
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QUANDO O AMOR DÁ ERRADO


PREÂMBULO

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ser pele
ser amor
ser leve

amar, apenas.

deixar-se por si só
e ser.

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SER-TÃO

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O ser-tão dos sertões
rosa, guimarães
redemoinho dos ventos
sussurruídos e retrovões
veredas, descaminhos
fabulações das passagens.

- Nonada. Tiros que o senhor ouviu
foram das travessias disparadas.

o Sertão está em todo lugar!

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DEITE-SE AO MEU LADO

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Deite suas noites no meu colo
e deixe-se amanhecer com meus abraços
esqueça-se no leve delírios dos meus pensamentos
e durma, com meus olhos, a paisagem do silêncio.


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N.Y.

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para Gus Braga e Nina Ruiz, amantes iorquinos de N.Y.C.


Comun-ic-ação entre
sirenes
buzinas
semáforos
olhares
gestos e
sinais

entre
hellos
e goodbyes.

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AL QUÍMICO

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Proust não sabe
mas, eu também me isolei.

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terça-feira, julho 31, 2007

MUDANÇA

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para minha querida Vera Casa Nova

Vera está de Casa Nova.
Mudou de princípios, de meios e de fins.
Só não mudou de si mesma
(nem de seus poemas).
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NOITE

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grão de coisa
lua
escarlate
noite
que brilha
dentro
de mim
vida
que nasce
corpo
que move
criança
que chora
com saudades
da mãe
poeta
que sofre
poema
que escreve
dia que não
amanhece
noite. só noite.
escuridão.
velas-não-se
coisa
lugar pra se guardar
lembrança
meia-noite
lua cheia
alguma coisa
dita regras
vai o morro
cavar o mundo
mundo grande
descoberta
vasto mundo
universal
raimundo
solução
edificar
é de ficar
no tempo
noite. só noite.
escuridão.
peças frias
pele morta
nausear
precisar
loucura
sangue que
escorre
gente que
passa
olho que

a vida
passada
passar
não acode
nem avisa
aterriza
aterrizar
noite. só noite.
escuridão.
silêncio
mudo
um poema
nas mãos
é meu nome
completo
Hugo
leve
nuvem
dentro
ele não enxerga
ele não escreve
ele não me encanta
canta não canta
encanta
um canto breve
ele vê
e (se observe)
no tempo
ele escreve
ele espera
dia após o outro
volta
revolta
retorna
e torna a
enlouquecer
brisa
enfim
amanhece
aparece
umedece
enlouquece
em silêncio
..................
tarde lilás
telhado amarelo
azul anil
noite. só noite.
escuridão.

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CIDADE GRANDE

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Casas entre arranha-céus.
O dia passa depressa.
Um homem vai correndo
(o táxi também).

Depressa, meu corpo levita.

Eta vida vesga, meu Deus!

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TRAVESSIA

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Eu li, no final de um livro,
o início de um novo tempo:
Era o Ser-Tão.

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CORPO EM TRANSE(TO)

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para Linsadora Sttérferson, minha querida.


Um homem nas palavras
atos, círculos, formas
Um homem no tempo
no interior de si mesmo
Um homem nas esquinas
de uma cidade que o ultrapassa
Um homem no trânsito
no corpo de sua formação

Um homem na espera
nas janelas da alma
Um homem nas saídas
partidas e chegadas
Um homem em movimento
nos transes do espírito
Um homem iluminado
Não é deus, não é buda
nem é santo

é apenas Um homem
sem passado, sem presente, sem futuro.

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CET APRÈS-MIDI

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IMAGES ET IMAGES
TRONÇONNEZ LE VERRE DANS L'ÉTAGÈRE
LE PASSAGE DE LA VIE
ET PRESQUE TOUT HOURS DE LA PLACE.
LES HEURES N'ÉTEIGNENT PAS LES JOURS
MAIS ILS AINDENT POUR OUBLIER LE TEMPS.

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DURAÇÃO

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te repito:
era assim o gosto
da tua carne nua
branda
macia
quase crua
teu sabor de pele
teu gosto de sol
ardendo em minha boca.
teus olhos castanhos
tua cor, tua vulva
tua intensa loucura
delirante,
teu "despejar-se" sobre mim...
Sim, te repito:
e no gozo da alma em transe
o prazer de estar só
e só
no silêncio dos amantes.
te repito
te rapto
te abandono

te abduzo.

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SLASH GLASS

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Seus óculos escuros
não são Dolce, meu bem
são Vitta.

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DE UM LIVRO

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Nietzche inventou as origens do sujeito fractal
no ciberespaço e na metafísica da subjetividade.
A desintegração do objeto na era do pensamento
é comun-ic-acional.

Na sociabilidade virtual, o subjetivismo moderno
ultrapassa
a informática da comunicação.

epílogo:
semióticos prólogos
protótipos poemas
(corações) e índices.

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ABAPORU

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Abaporu-homem
selvagem antropógago
idéia da terra
imagem do santo
ex-voto moderno.
Abaporu-homem
homem-que-come
homem da arte
imagem do quadro
que paira no tempo.
Abaporu-homem
enormes pés plantados
no brasileiro do chão.
Há de brotar um movimento,
um cacto, um sol.
Abaporu-homem
homem da face-semente
homem do pau-brasil
"o homem do Amaral
pintado a azul anil."
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