sexta-feira, junho 29, 2007

METRÓPOLIS

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trânsito em transe
tensão nos sinais
velozes e vermelhos
- semáforos:

tráfego
transito entre as trapaças
dos tensos veículos
- canais:

faixas e pedestres
códigos e bandeiras
óxidos e monóxidos
- quatro tempos:

sirenes e trincheiras
túneis e avenidas
estações - e ruídos
infernais:

metrópolis.

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terça-feira, maio 29, 2007

DIVERSIDADE CULTURAL

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A reinvenção dos conceitos de Cultura
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A convite do professor e antropólogo José Márcio de Barros, participei das mesas redondas do “Seminário Diversidade Cultural – Educação, Desenvolvimento Humano e Desdobramentos” que aconteceu nos dias 21 (Dia Mundial da Diversidade Cultural) 24, 25 e 28 de maio, no Palácio das Artes.
O Evento foi realizado pela Diretoria de Arte e Cultura da PUC-Minas, pelo Ministério da Cultura, através da Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural e pelo SATED – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão. A USIMINAS, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e a FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais patrocinaram o seminário que foi realizado em parceria com a Fundação Clóvis Salgado e com a ONG GERM - Grupo de Estudos Sobre as Globalizações. Além disso, houve o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e da Embaixada do Canadá – primeiro país a adotar a política de multiculturalismo do mundo – representada pelo embaixador Guillermo Rishchnski.
O objetivo destes debates, segundo o seu organizador, é o de ampliar a reflexão sobre as relações entre a diversidade cultural e o desenvolvimento humano. Além disso, propõe promover o conhecimento e criar competências para o trabalho com a diversidade cultural, desenvolvendo perspectivas metodológicas de atuação com o pluralismo cultural.
Participaram do evento especialistas no assunto como a representante da UNESCO, Jurema Machado, que abriu as discussões questionando a efetividade dos projetos. Para isto, foi criada uma convenção, por ser um instrumento jurídico internacional que garante a soberania dos países integrantes, no que diz respeito às políticas culturais, e por ser o meio mais forte de tratar da promoção e da proteção da diversidade cultural, uma vez que esse instrumento gera direitos e obrigações. Cinqüenta e sete paises já estão integrados à convenção sendo a Costa do Marfim o ultimo país a integrá-la. Jurema também propôs a melhora da qualidade das informações na área e a difusão das idéias debatidas no seminário através da televisão, do rádio e da Internet, veículos mais acessíveis sociedade contemporânea.
Giselle Dupin, representante da FUNARTE e do MinC, destacou a criação da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural, em Brasília, que é, até então, a única secretaria que promove e protege a diversidade de culturas do mundo. Essa secretaria visa democratizar o acesso às políticas culturais, viabilizando a comunicação entre as comunidades e o governo. Para isto, foram criados projetos como o “Prêmio Culturas Indígenas” que prestigiou iniciativas de promoção e proteção da diversidade cultural indígena, valorizando as línguas nativas, resgatando a culinária, as práticas religiosas, o artesanato, entre outros. Com essa premiação, foram contemplados 52 projetos com R$ 15.000,00, cada um, para incentivar e dar continuidade aos trabalhos. Nesse mesmo sentido, falou também o professor, antropólogo e representante da comunidade indígena Baniwa, Gersen Luciano Baniwa, sobre alguns pontos importantes para a valorização das culturas nativas como, por exemplo, a educação intercultural, as políticas de valorização das culturas indígenas, o intercâmbio entre escolas indígenas e não-indígenas, a produção de livros didáticos baseados nas temáticas indígenas, entre outros. Discutiu-se também o reconhecimento de outras línguas oficiais como o tupi-guarani.
Os afrodecendentes, os povos ciganos, os moradores do Vale do Jequitinhonha, os moradores da Juréia, os catadores de siri, dentre outras comunidades tradicionais, também contam com programas como a Fundação de Promoção e Proteção da Diversidade Cultural dos Afrodecendentes, a Fundação Cultural Palmares, etc. Os homossexuais também têm a sua identidade protegida pela Campanha Nacional de Proteção à Cultura GLBT.
O Secretário Sérgio Mamberti, representante do MinC, atentou para as leis de incentivo com representações em todas as regiões do país na tentativa de descentralizar os projetos, e para os 600 pontos de cultura que fornecem, com fundos do governo, condições para a continuidade e o aprofundamento desses projetos. No âmbito mundial, há várias intervenções do Brasil como o “Ano do Brasil na França”, as participações do país na Copa e nos jogos olímpicos, os centros culturais brasileiros em Miami e em outros lugares do mundo, entre outras.
Um ponto bastante discutido foi o que diz respeito à criação da OEA (Organização dos Estados Americanos) que, através de seminários, visa disseminar, nos países que não participam da convenção, idéias que promovam e protejam suas diversidades culturais. É importante destacar que os Estados Unidos não integra a convenção e a sua não-participação é polêmica.
O doutor Márcio Antônio Salvato, economista do IDHs – Instituto de Desenvolvimento Humano Sustentável – que participou da mesa no dia 25, fez um paralelo entre cultura, desenvolvimento humano e economia e, através de gráficos, apresentou uma espécie de “mensuração” da Cultura no ponto de vista econômico, mas sem falar especificamente em números. Um dos pontos mais importantes que o economista levantou para o desenvolvimento humano e social no que diz respeito à Cultura é ampliar as “escolhas” dos indivíduos. Existem 4 componentes essenciais no paradigma do desenvolvimento humano: eqüidade, sustentabilidade, produtividade e empoderamento. Quanto à pobreza, percebe-se uma reavaliação do conceito reconhecendo as variações do termo. O que é pobreza para quem mora no Rio de Janeiro, por exemplo, pode não ser para que vive em Manaus, e a cultura está intrinsecamente ligada a essa questão.
A antropóloga Tânia Dauster, professora da PUC-Rio, fez o relato de uma pesquisa em torno da presença das classes menos favorecidas (negros, pobres, etc.) na Universidade, mencionou a construção de um novo ator social - o estudante de baixa renda que enfrenta inúmeros desafios na busca pelo alcance de seus objetivos, e a construção de redes de solidariedade pelos programas de pré-vestibulares comunitários. A professora nos contou também que há muitas formas sutis de exclusão dentro da Universidade (algumas vezes, por parte dos próprios professores) e isso acarreta, entre outras conseqüências, na construção das fronteiras simbólicas, onde certos alunos (geralmente, os menos favorecidos) se sentem melhor em determinados ambientes do que em outros e, na verdade, todo o espaço acadêmico deve ser de e para todos.
A professora da UFMG, Nilma Lino Gomes, pós-Doutora em antropologia urbana, encerrou as discussões, no dia 28, em altíssimo nível de fluência e qualidade, debatendo o segmento negro da população e a diversidade étnico-social, além de apresentar uma coletânea da produção crítica dos negros no Brasil e apontar os grupos de intelectuais negros.
É importante ressaltar que Cultura não é só arte: são valores, posturas, hábitos, lugares, conhecimentos, técnicas, identidades comuns e diversas, conceitos, saberes e fazeres múltiplos. Cultura é a representação máxima de um povo baseada na diversidade, que é a construção histórica, social e política das diferenças.
A diversidade não é (e nem pode ser) apenas um tema de discussão em mesas de debate, ela se concretiza em corpos, na história e na vida social das pessoas. Portanto, diante de uma discussão tão rica como esta, cabe a nós cuidar para que o debate da Diversidade Cultural não se torne um mito e que os seus resultados possam nos chamar cada vez mais a atenção para esta realidade. O desafio é o que nos move a refletir o conceito de cidadania, e enquanto cidadão, devemos priorizar e reivindicar sempre o nosso direito à igualdade social.
Não se podem tolerar as diferenças, tem-se que reconhecê-las e não custa lembrar que a razão básica do preconceito é a ignorância.
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* Texto escrito por Hugo Lima em 29 de maio de 2007, extraído do "Seminário Diversidade Cultural - Educação, Desenvolvimento Humano e Desdobramentos".
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quinta-feira, maio 17, 2007

EXPLOSÕES/ ISCAS/ SEXTAS-FEIRAS 13/ ALUSÕES REPENTISTAS/ E O CACETE...

(ou autodefinição por um padrão repentista)


Esmiuçando
Esfiapando
E despedaçando
Desmorono-me e revelo-me em nuances
No prisma de meus eus e ais.
Assim sem mais,
Me traduzo ao pé da letra,
Ou tento:
Fragmento sem encaixe
De poema sem saída.
Cafarnaum de partes e pestes
E portos e places,
Sem cais e cordas,
Com caos.
Editor de rasuras, em explosões repentistas.
Foguetório/Crematório das neuroses,
Psicoses e metempsicoses.
Escarcéu de cores, cóleras, taras, crimes,
Desvãos prateados
Engalanados de noturnas insônias, infâmias, insânias
E blasfêmias.
Limo cor de musgo.
Céu cor de gelo.

Vou abrindo e fechando
Fechando e abrindo
Minha caixa de Pandora.
Sou sócio, carteira assinada e livro de ponto,
Do clube onde poesia e fogo se entremeiam.
Componho partituras em sílabas,
Fundindo escrito e oral
Na marra, no pau
À beira de um troço.

Mas eis que fico tonto,
Escuto vozes,
Misturo-me às alucinações
Feito simbiose.

Sigo,
E não traduzo
As algaravias ruminadas
Das vias esburacadas
De minha carcaça estofada
De tudo o que abrange
A palavra enigma:
Apraxia.
Sou senhor de mim mesmo
Até onde olhos vêem.
Descendo das elegias, das odes, das palinódias,
Das paródias, das glosas, dos sonetos,
Dos tercetos e sextetos, cianuretos,
da poesia incrustada feito fruta cristalizada
no pão doce.
Da expressão chama+abc,
Do canhão lançador de sincretismos ilusionismos e paradigmas
À fortaleza inimiga.
Da porralouquice
Em freadas bruscas.
Da iconoclastia, da iconolatria,
Da magia negra.
Das macumbas, das quizumbas, catacumbas.
Do moderno, do inverso, do inverno,
Da “boca do inferno”
Eis Gregório incorporado.
Do Santo do Pau Oco,
Do espírito de porco.
Da relva, do lodo,
Da selva, da maluquice dos manicômios dos malucos.
Da venda dos olhos,
Da fenda das falhas,
Das fagulhas.
Das imperfuráveis madeiras brutas,
Parceiras e sócias majoritárias
Do clube de minhas sextas-feiras
Treze.
Da matéria, da antimatéria,
Da arte que pulsa na artéria.
Dos desabafos fantásticos do Sairlomoon:
O ourives.
Do simples ato de escrever
Para anuviar os excessos
Para despistas os ardis
Para decifrar os enigmas
E apagar o incêndio
Que de tão abastado
Reduz a escrita a um mero pano molhado...

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domingo, maio 06, 2007

O POETA


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CARTAS EXTRAVIADAS - PARTE 1

Em carta a João Cabral de Melo Neto, datada de 17 de janeiro de 1942, Drummond escreveu, a propósito da inclusão de um poema de Cabral em uma coletânea a ser publicada:
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"Sou da opinião que tudo deve ser publicado, uma vez que foi escrito. Escrever para si mesmo é narcisismo, ou medo disfarçado em timidez. Sem dúvida todo sujeito honesto escreve por necessidade, mas nessa necessidade está latente a idéia de comunicação. Os outros é que gostem ou não gostem. A reação do público evidentemente interessa, mas não deve impressionar muito o autor. Daqui a 20, 30 anos, que ficará de nossos atuais pontos de vista e juízos críticos? As obras terão que ser examinadas de novo. E então haverá uma importância maior no julgamento, ao qual, provavelmente, não estaremos presentes. Como v. vê, eu acho que se deve publicar tudo, menos pelo valor da experiência do que pela operação de extravasamento da personalidade, de outro modo cativa, e pela tomada de contato com o mundo exterior, que é fértil em sugestões e excitações para o autor. [...] Se lhe desagradar a opinião dos jornais e revistas, não publique para eles, publique para o povo. Mas o povo não lê poesia... Quem disse? Não dão ao povo poesia. Ele, por sua vez, ignora os poetas. [...] Não devemos desanimar com isso. Desde que estejamos vivos, as experiências se realizarão dentro e fora de nós, e haverá possibilidade de progredirmos na aventura poética. O essencial mesmo é viver e acreditar na força admirável da vida, que é nosso alimento e nosso material de trabalho."


***
Em carta de Hugo Lima, destinada à mim, Nelson, datada de 28 de outubro de 2006, o poeta escreve:
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"Tomei as palavras de Drummond como se fossem para mim. Por isso publico, nos meus blogs, todo e qualquer pensamento, toda e qualquer manifestação interior que parta de mim. Confesso, sou narciso, mas tenho uma honestidade poética que me força, quase que esporadicamente, a me submeter ao extravasamento da minha personalidade que, como sabe, não é uma ou outra, são várias [...] Sou a favor da poesia, sempre. E acredito piamente nas idéias de Drummond. Estou de acordo com elas. "Não dão ao povo poesia. Ele, por sua vez, ignora os poetas" Não quero que meus poemas comuniquem ou façam algum sentido, não escrevo pra explicar. Expresso, apenas. Sou da idéia de que a poesia é um fazer que si basta a si mesmo, que pode sim servir ao homem, mas apenas na medida em que, capturando os padrões de sensibilidade de cada época, seja capaz de manter viva no homem, exatamente a própria poesia enquanto modalidade específica do fazer humano."
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OBS: Quero com este post (tratando, a meu ver, de um assunto de magna importância e discutido de forma tão delicada) marcar a nova direção da CASA que a partir de hoje, será organizada por mim, Nelson Nobu, http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15221847701048755955, sob recomendações do poeta, aqui homenageado, Hugo Lima.

sábado, fevereiro 17, 2007

segunda-feira, janeiro 01, 2007

RESSACA


das doze sementes de uva
das três ondas puladas
das setes rosas brancas lançadas
das nove velas acesas
dos cinco incensos de nardo
dos onze nós desatados
dos três peixes comidos
das oito fitas amarradas
dos quatro pulinhos na areia
dos seis pedidos ao santo
das duas taças quebradas
das treze champagnes estouradas
das promessas e oferendas
de toda a elegância esbanjada
das incontáveis fotos tiradas
da pirotesca queima de fogos
das moquecas, bobós e do vinho
de toda a festa celebrada
restou a insatisfação da natureza
que o mar devolveu.

ALMEJO

para 2007...




+ amor + saúde + paz-de-espírito + bem-estar + dinheiro + alegrias + sucesso + inspiração + bons restaurantes + paciência + livros + tranqüilidade + jazz + respeito + educação + força-de-vontade + justiça - violência + sabedoria + inteligência + informação + bons cafés + samba - preconceitos + arte + união + poesia + conforto + amigos + poemas + igualdade + bossa nova + sorrisos + compreensão + solidariedade - fome + literatura + lounge + viagens + cultura + realizações + dança + teatro + ascenções + sol + cartas + criatividade + imaginação + estudantes + paisagens + fé + champagne - pressa + dinamismo + interação + bençãos - discriminações + doações + paixões + bons filmes + cores + músicas + fotos + reflexões + perdões + participação + inclusão social - inveja + documetários + orquídeas + amantes + amendoeiras + janelas - falsidade + romantismo + prazeres + bons vinhos - stress + house music - conformismo + liberdade de escolha + liberdade de expressão + opiniões + segurança + compromisso - descaso + djs + tolerância - arrogância + comunicação + diálogo - pessimismo + moda - depressão - problemas + soluções + esperança + grandes acontecimentos - mortes acidentais + oportunidades + leveza - absurdos + ousadia - egoísmo + gentileza - brigas + manhãs de domingo + feriados prolongados + sonhos + prosperidades + possibilidades + 2007 maneiras de fazer deste ano o primeiro dos melhores anos de nossas vidas!
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sexta-feira, dezembro 22, 2006

UTÓPICO RETÓRICA (STICK POEM PART 1)


.do exterior.
.lado de fora.
.out.
.mostra.
.exposto.
.exibição.
.externo.
.aparência.
.superfície.
.aspecto.
.visível.
.público.
uma parte remota romonta os extremos
> lados opostos <
TRAVELINGS
allons z'enfants...
{ Imagem e poema: Hugo Lima }
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UMA IDÉIA PRA NÃO SER...


[;] talvez esteja óbvio, talvez esteja oculto...
basta saber ler nas entrelinhas.
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DELA

violetas na janela
e sofás de veludo,
cozinha azulejada
e gesso no teto,
dois quadros na sala
e samambaias no banheiro.

poemas grafitados
nas paredes do quarto e
uma placa escrita
com baton vermelho na porta:


"do No t disturb."

terça-feira, novembro 28, 2006

O VISIONÁRIO

da série: "Remix: Século XXI"


à memória de Murilo Mendes.


Sou o filho do século,
Da restauração da poesia em Cristo.
Sou o visionário
No mundo enigma da poesia liberdade.
Sou a múltipla facedo Ser ou não Ser? Eis a invenção.
Sou o profeta do múltiplo
O que é não é
Enquanto tudo a minha volta é anunciação.
Percorro tempo e eternidade
Num mundo aparentemente abandonado por Deus.
Mas sobrevivo sempre
Porque o tempo sobrepõe-se à idéia do eterno.
Se é preciso morrer de tristeza e nojo,
Morro porque amo, por solidariedade.
Sou ligado pela herança do espírito e do sangue,
Do santo do demônio, do anjo e do mendigo,
do deus e do poeta, do que caminha sobre as ondas...
Que construidos a minha imagem e semelhança,
Morrem pela angústia do Murilo.
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AUTOPSIA

>> para vera casa nova...

idiocoma - eletrosincronizaçãopoética
patética poesia
cartas e farpas
alienação do caos
caóticos extremos
extrema-unção dos pecados silábicos
histérico--psia
metalformadeversos
versoloscopia aguda
agudez de espírito
espiritualização do tema
temática litúrgica
liturgia circunflexa
circunferência.
elementos do tópico
suplementos utópicos
tematização abstrata
abstração dos versos
ridicularização do movimento
movimento d'eviantar
espaços-fragmentos
celulose de tinta
papel aos maços
cigarros e seringas
bisturís videofônicos
para a extração do látex
látex alcoólico
alcolismo alucinógeno
-- razão deste poema --
causa conseqüência
auto-re[in]verso


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AMORES



de segunda à quinta, amo os papéis
às sextas, amo os copos
aos sábados, amo cinema
mas, só aos domingos consumo o amor.

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segunda-feira, novembro 20, 2006

DILEMA

e por outras razões que podem parecer um pouco mais esclarecidas...




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quinta-feira, novembro 16, 2006

→ POR UM MOTIVO OU UMA RAZÃO...

por um motivo ou uma razão não tão esclarecida...



tec tec...
tec tec terec tec...
tec terec tec tec tec terec tec tec tec...
crash... plim!
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domingo, novembro 12, 2006

...E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

da série "Nus, Florais e Pingue-Pongue"
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casamento. lua-de-mel. concepção. gravidez. cuidados. gestação. decoração. obstetrícia. parto. papai. mamãe. bebê. família. fraldas. vacinas. pediatria. truques&dicas. informação. batizado. dentição. primeiros passos. berçários. creches. escola. educação. alimentação. fonoaudiologia. traumas. psicologia infantil. alopatia. homeopatia. curas. palavrões. religião. esportes. lazer. férias. adolescência. moda. ginecologia. ciência. tecnologia. genética. formatura. festas. namoro. independência. sexo. diálogo. riscos. depoimentos. filho-problema. drogas. doenças venéreas. preservativos. anticoncepcionais. gravidez. erros&acertos. filhos. avós. vasectomia. laqueadura. serviço. entrevista. emprego. babá. faculdade. direitos. eleições. impostos. crises. separações. divórcios. terapia. análise. reclamações. queixas. desemprego. frustração. aposentadoria. velhice. maus tratos. morte... será que evoluímos?
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*Crônica de Hugo Lima publicada no site da i-d como ilustração da crônica moderna.

segunda-feira, novembro 06, 2006

→ 50º POESIA CONCRETA - part 3

conclusão...




Poema: feli[c]idade, de Hugo Lima.
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domingo, novembro 05, 2006

→ 50º POESIA CONCRETA - part 2

aos precursores do concretismo...



friedrich achleitner / alain arias-misson / h.c. artmann / stephanbann / max bense / edgard braga / claus bremer / henri chopin / carl friedrich claus / bob cobbing / reinhard döll / torsten ekbon / öyvind fahlström / carl fernbach / ian hamiltonfinlay / larry freifeld / john furnival / heinz gappmayr / pierre garnier / mathias goetitz / ludwig gosewitz / bohumila grogerova / josef hirsal / josé lino grunewald / brion gysin / al hansen / vaclav havel / helmut heissenbüttel / dom sylvester houedard / ernst jandl / bengt emil johnson / ronald johnson / hiro kamimura / kitasono katue / jiri kolar / ferdinad kriwet / frans van der linde / arrigo lora-totino / jackson mac low / hansjorj mayer/ franz mon / edwin morgan / maurizio nannicci / hans-jorgennilsen / seiichi niikuni / ladslav novak / yusef pazarkaya / luiz angelo pinto / carl friedrik reutersward / diter rat / gerhard rühm / aram soroyan / john sharkey / edward lucie smitch / mary ellen salt / adriano spatola / daniel spoerri / vagn steen / andré thomkins / enriqueuribe valdivielso / paul de vree / emmetwilliam / pedro xisto / tasuo fujitomi / marcelo dollabela / martin salomon / herblubalin / r.meyer / h.troxler / raymon gid / yvette vibert / lindsley daibert / alain roger / marcello diotallevi / reinhold koehler / felipe boso / jacques roubaud / bernardo schiavetta / jean dupuy / langdon wenoab / jérôme peignot / tom ockerse / marcel jacno / jean-fronçois bory / guy de cointet / grapus / jochen gerz / paul rand / gene federico / claude melin / alan ridell / john crombie / rémy peignot ...........................................................................................
......................................................................................................
......................................................................................................


... os meus parabéns pelo 50º.


P.S. Interessante :: www.concretismo.zip.net
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sexta-feira, novembro 03, 2006

→ 50º POESIA CONCRETA - part 1

em comemoração ao 50º poesia concreta...




quem será que está por trás de tudo isso?
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segunda-feira, outubro 30, 2006

ENTRE O SER E AS COISAS

baseado no poema XVI, de Hilda Hilst. extraído do livro “balada de alzira”.
“onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva”
(carlos drummond de andrade)

escrevo triste no meu canto. só – como sempre estive. só – como sempre estou. descubro as paredes se movendo. elas dançam diante dos meus olhos. guardam meu segredos e são fieis ao meu silêncio. amanheço em sua brancura amarelada refletida pelos raios de um sol que eu nunca vi. eu não mereço ser Deus para iluminar. tenho hábitos noturnos e sou adepto da escuridão. tenho black-outs internos [...] penso nas coisas e percebo que elas não existem. “o que vemos das coisas são as coisas”, mas o que existe é uma idéia melancólica e suave que fazemos delas. uma idéia abstrata e móvel das coisas fixas. a minha mesa de escrever é feita de amor e de submissão. no entanto, ninguém a vê como eu a vejo. para os homens, é feita de madeira e coberta de tinta. para mim também, mas a madeira somente lhe protege o interior e o interior é humano. há um gesto de cumplicidade entre o ser e as coisas. um elo que os envolve. um afeto incomensurável capaz de transcender tempo e espaço e perfazer-se num valor sentimental inimaginável. os livros são criaturas. cada página um ano de vida, cada leitura um pouco de alegria e esta alegria é igual ao consolo dos poetas quando permanecemos inquietos em resposta às suas inquietudes. estas linhas guardam a minha indagação. o café excita a consciência irracional, o lumière ilumina as palavras e os dicionários dão sentido ao que envolve o ser humano. há passagens do tempo que os relógios não contam... é nesta solidão que me dispo diante dos versos que espelham o meu corpo, a minha vida, a minha dor. ando indagando às minhas dúvidas se, submerso, compreenderei o sentido das coisas. e o que tenho como resposta é a cumplicidade das paredes. faço amor com minha máquina de escrever. acaricio seus seios alfabéticos enquanto ela me devolve ininterruptos argumentos sobre o que se passa nos meus pensamentos. há um elo entre nós, um laço de afetos. deixo-me estar neste eterno envolvimento. aqui reconheço minhas digitais em todos os cantos, esses cantos que me abrigam só. escrevo triste no meu quarto e então percebo que as coisas não existem. a idéia, sim. a idéia é infinita igual ao sonho das crianças.
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(Intertextos: Hilda Hilst/Fernando Pessoa)
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segunda-feira, outubro 23, 2006

ALGUÉM SE ATREVE?


lésbicas de patins. submissos, pedófilos, sádicos e afins. menininhas perigosas, necrófilos, ninfetas pervertidas e dias nublados. mulheres gordas, homens sedentos, vitrines quebradas e esqueletos. adolescentes andróginos, ruas estreitas, velhos tatuados e galerias desertas. alguém se atreve?
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SLASH FICTION


unresolved sexual tention:
bondage and domination
sadism or masochism
non-consensual
drinking-bout or monogamy
hurt / confort
("plot, what plot?")
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ESSENCIAIS

Para os amigos.



Para a metamorfose: lagartas e borboletas
Para fugir da representação fixa da realidade: camaleões e seus disfarces
Para impelir os seres e as coisas: movimento das águas e dos ventos
Para a revolução: vendavais, terremotos, ciclones e tempestades
Para a criação: germes, sementes, brotos e mudas
Para a renovação: coração, faíscas e fogo.

*Inspirado em Radovan Ivsic, nas palavras de Eclair Antônio Almeida Filho.

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domingo, outubro 22, 2006

FACETOGRAFIA EM POLKA DOTS


decomponho-me em papeis de parede
e recomponho a forma
em vitrais e lustres.
sou romântico e erótico
e me estendo ao nouvè.
fui fragilmente reconstruído em mosaicos
com meus sentimentos aos pedaços
e o coração na mão.
sou um artista, um poeta,
uma revolução incessante
num melodramático clichê.
sou feminista, machista, nascisista
entre o ser e o não-sense.
não faço sentidos,
deixo-os por fazer...
sou apenas prlífico
revelando por partes
o que é TODO em mim.
a febre é só um estado de SER
entre Francesca Woodman
e minha facetografia.
(dois (es)passos numa dança)
desappearing act:
woodman's space 2 series; from
Polka Dots.

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A CODE O CÓDIGO



um poema visual
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C'EST LA FAUTE À SARTRE

da série: "Remix: Século XXI"


li Sartre sem saber.
submergido no diário de uma guerra estranha
observando a filosofia dos espaços
que deliberam-se entre o ser e o nada.
reconstruindo essa imagem lúbrica
que se distorce a cada instante
enquanto a palavra-metamorfose filosofa
tentando ser a pedra (episcopal, talvez!)
esfacelei-me numa frase estapafúrdia
que, inquietante, diluía os meus sensatos
pensamentos que vagueiam entre a poesia
e a face ultiforme do meu ser em transição.
nada me consola, tudo me abstrai.
busco atordoado no dicionário das idéias recebidas
a imagem do homem de letras prolífico:
o romancista, o dramaturgo, o poeta,
o panfletário, o filósofo pós-cartesiano...
e só sei que nada sei. Me perdi de vez!...
nada me reflete, tudo me confunde.
a minha obra é tão pequena diante do meu corpo!
nada exala a minha essência, tudo exibe a minha dor
nenhuma palavra traz de volta a imagem concreta
do ser que sempre/nunca fui...
perdido na loucura (in)existente
nada me resta, tudo me apavora.
fecho as aspas e permaneço na leitura...
a náuse
as moscas
o muro
o ser e o nada
c'est la faute à Sartre (?)
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CRENÇAS, CREDOS E... RELIGIÃO NÃO SE DISCUTE!

da série: "Nus, Florais e Pingue-Pongue"


Ana revê os conceitos envelhecidos dentro de si, enquanto Clara corre à livraria e se perde em meio a tantos livros esotéricos. Lúcio faz uma investida parabólica pata travar contatos imediatos com o olho gordo, enquanto Amadeu conclui que o ser humano é uma espécie de pára-raios. Olívia acredita que cada um de nós funciona como imãs atraindo forças positivas e negativas, enquanto Marta só quer saber de missa, novena e confissão. Estela diz que quer chegar às divisões moleculares das coisas para atingir a origem do universo, enquanto Márcia busca uma explicação científica para o olhar. Lúcio agora ignora qualquer tipo de amuleto, pedra ou talismã contra mau-olhado só porque a namorada resolveu estudar parapsicologia. Sílvia decidiu se render ao Axé Ilê Obá desde que fora atingida cruelmente por aquele terrível olhar-de-secar-pimenta. Lizete afirmava que mau-olhado pode destruir relações afetivas, desfazer casamentos, levar a pessoa à penúria e até a morte, mas agora acredita piamente que só Deus possui poderes para isso. Helena acende incenso, ergue o patuá, reza e junta a roupa velha, enquanto Elza, Arminda e Eulália se preparam para tomar um banho de arruda e sal grosso. Anita garante que sabe o segredo para reverter o mau-olhado em bom, mas Mônica nem acredita mais nesse ritual de reversão. Hugo resolveu meditar e seguir o Bhagavad-Gita e sua mãe até admira essa independência espiritual. Marco cismou de que agora é ateu, mas vive dando graças a Deus! Eugênia agora é espírita e Cezar, seu marido, quer se separar porque acredita que espiritismo só atrai o azar. Vera insiste de que é católica apostólica romana, mas Eneida jura de pés juntos que a viu entrar numa igreja evangélica. Carlos agora pertence ao candomblé, Luíza à umbanda e Vinícius está encantado com o zen budista. Larissa diz que vai ser agnóstica quando crescer e Bruno, seu irmão, não quer mais saber dessas coisas de religião. Érika costuma dizer que a yoga vai conduzi-la ao nível máximo de iluminação e eu... Bom, eu acho que somos todos budas em potencial!
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sexta-feira, outubro 20, 2006

SOU CLARICE

da série "Remix: Século XXI"


Homenagem à Clarice Lispector dedicada à Vera Casa Nova.


sou Clarice enquanto houver em mim
uma legião estrangeira capaz
de unificar o meu complexo vínculo de estranheza natural
e o subconsciente da minha inteira tradução.

sou Clarice enquanto houver medo nas entranhas,
enquanto houver pânico nas esquinas,
enquanto tudo fizer sentido
e eu estiver à margem.

sou Clarice enquanto houver um átimo de felicidade clandestina
que possa restaurar o meu estado de ser, estar, permanecer...
porque não sou. Não estou. Não permaneço.
eu apenas vivo entre o eu e o não-eu do pensamento.

sou Clarice, a mulher incontida
e serei enquanto Macabéa existir.
- Maca - o quê?
sinônimo de ternura e inocência.
(*nonsense da vida fora da introspecção narrada).

sou Clarice, perdida na cidade sitiada.
eu estou nas entrelinhas. eu coso para dentro.
eu me abro em fragmentos.
sou uma artéria dilatada.

sou Clarice.
eu sempre serei.

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OVERNIGHT

(roteiro completo para uma noite de insônia)


treze ensaios de nietzsche
onze artigos de freud
uma entrevista de godard
nove galerias de man ray
quatro romances de dostoiévski
sete poesias de hilda hilst
dezoito sonetos de cummings
as correspondências completas de ana cristina césar
o essencial de caio fernando abreu
as cartas extraviadas e outros poemas de martha medeiros
cinco filmes com pola negri
doze suítes de rimski-korsakóv
oito telas de frida kahlo
seis textos de guimarães rosa
duas teses sobre saramago
quinze cadernos de sartre
três cores de almodóvar
as obras completas de mário de sá-carneiro
os exercícios de levitação de ledusha spinardi
dezesseis crônicas de drummond
uma autopsicografia e os desassossegos de fernando pessoa
dezenove contos de joyce
vinte poemas de amor
e uma canção desesperada.

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LIDA DOR



ando enlouquecido com tudo o que diz respeito a minha dor.
ando entorpecido...
minha dor estarrecida
minha lida, lida dor
dor lida...
meus sentimentos d’alma...
como se a minha própria alma
fosse também a minha dor.
ando distraído,
falando sozinho, me guardando em segredos,
suportando meus pesos.
minha loucura exposta
na eloqüência dos meus versos.
a cada rima um tiro certo contra o peito.
a poesia corrompendo o ego
cada espaço deformando o corpo
e as palavras...
incaláveis palavras remoendo as superfícies.

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TRÂNSITO

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pessoas que vêm de dentro
pessoas que vêm de fora
pessoas que me atravessam
[..................................]
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O MUNDO QUE EU VI

para Laura Capriglione




esta é Santos como você nunca viu
do lado de dentro do balneário
praias lotadas
jardins monumentais
turistas barulhentos
café paulista
jardim de orla

maior do mundo
num salto de paraglider
do alto do Morro do José Menino
cafeterias italianas
e um lírico milk-shake de café
casarões azulejados
superfeijoada paulista
cidade quieta
antiga.

todo mundo tem um pouco de São Paulo.
todo mundo tem um jeito de ser Santos!

deve-se chegar com a alma leve
virar-se pássaro
sentar-se e ver a vida passada passar
no calçadão, a mureta sinuosa
acompanha o traçado irregular da pérgula.
formigas gigantes para vestir de boneca
café carioca
alforria dos escravos
cassino Mont Serrat:
a jogatina dos endinheirados
santistas mascarados.
santos está em qualquer mapa do mundo
pela saudade dos que se foram
pela alegria dos que chegam
pela beleza dos que ficam.
era o fim.

todo mundo tem um pouco de São Paulo.
todo mundo tem um jeito de ser Santos!

três vidas: café, modernidade, farofa
farofeiros santistas
copacabana palace paulista
porte monumental e os lindos vitrais estão lá.
palacetes decrépitos
trens do valongo
são paulo railway
as mil e uma noites
do essencial kama sutra
fonte inesgotável de prazer.
ilusões perdidas

cristal da boêmia
o paulista é uma beleza!
o paulista tem um céu irrestrito
santos virou de costas pra si mesma!
santos virou-se de costas pro mundo!

todo mundo tem um pouco de São Paulo
todo mundo tem um jeito de ser Santos!

e é assim o mundo que eu vi.

meigos balanços infantis...
“eu fui na fonte do Itororó
beber água, não achei
achei bela morena
que no Itororó deixei...”
...
da fonte
só sobrou um cano, seco.
do Itororó
só restou a lembrança
que ficou no lirismo ingênuo
da canção infantil,
e basta!
... .. . ... ... ... .. . .
... .. . ... ... ... .. . .
... .. . ... ... ... .. . .

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PAISAGEM



no extremo arco do infinito
um labirinto
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A POESIA

a suprema forma da beleza.
criação rítmica da beleza.
pouco importa, contudo
definir o que seja poesia.
ela é indefinível
porém, definidora.
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OS IDOS

à memória de Malthus Balzác


em virtude dos belos anos sós
uma vida inteira é jogada fora.
em rumores de medo nessa sina
empobrece a emoção da vida.

enamorado da desconfiança
num cruento insaciável de lembranças,
uma lágrima brota dos olhos seus
sem saber o seu destino.

tudo se transforma e improvisa a fé.
iconoclasta da ignomínia,
vejo que não há idílio que descreva
a ideologia de uma vida a sós.

mas permanece a idiotice de meditar
os velhos e tolos ditados:
- antes só que mal acompanhado?
os idos não permanecem.
vê a realidade de hoje:
- antes um tolo apaixonado
que um largado sozinho!

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AUTO-RETRATO


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nasci transitório
entre o caos e a vaidade dos meus sentimentos.
nasci como quem encontra na vida
uma saída prodigiosa
para as inquietações dos meus pensamentos,
porque, de tanto pensar
e me submeter aos difusos preceitos,
pude compreender que a minha servidão
está na eloqüência de minhas múltiplas faces.

como não posso ser um só em todos os corpos
descobri ser todos num só corpo.

(talvez, assim, eu tenha encontrado
a definitiva razão
para o meu intenso coexistir.)
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